Arquivo da categoria: Obras Inquietas

Obras Inquietas – 47. “A lição de anatomia do Dr. Frederik Ruysch” (1714), de Jan van Neck

Em virtude de ter passado duas semanas viajando e palestrando por aí, atrasei as colunas do “Obras Inquietas”, motivo pelo o qual me puxaram as orelhas em mensagens.

No meu retorno, tratei de “A lição de anatomia do Dr. Frederik Ruysch” (1714) do pintor holandês Jan van Neck. Poderia ter escolhido outras versões da mesma ideia, inclusive mais famosas, como a de Rembrandt: existiu uma época na História da Arte em que era frequente pintores retratarem aulas de anatomia, o que por si só daria um longo texto. Optei por essa de van Neck por que, entre elas, é a que mais recordo, talvez pelo fato de ser a autópsia de um recém-nascido, talvez pelo detalhe destoante da criança assombrada que segura um esqueleto no canto da imagem. Existe algo de perturbador na calmaria aparente dessa pintura e, se não sou capaz de detectar, o quadro merece estar elencado nessa minha lista de perturbações.

Boa leitura.

“A lição de anatomia do Dr. Frederik Ruysch” (1714), de Jan van Neck

Um corpo não passa de um aglomerado de órgãos, músculos e sangue impulsionados por um espírito. Por favor, esqueçam o horror enquanto presenciam a curiosidade quase sádica dos homens ao redor da mesa, para quem o cadáver da criança é um mero objeto de estudo, e nada mais. Eles não pensam na vida que animava esse corpo ainda fresco até alguns minutos atrás, não pensam no ronco de esperança que brotou dos pulmões e, em seguida, desapareceu, não pensam no aspecto lívido da pele que esperávamos rosada, macia, tenra, e agora tem o tom marmóreo da ausência, não pensam no choro da mãe ou nos soluços do pai a ecoar pelo corredor vazio. A ciência não pode se dar ao luxo de ter piedade. Ignoram o olhar espantado do menino que segura o esqueleto do bebê; ele não consegue entender que sentimentos atrapalham o progresso e que os homens reunidos naquela sala, que dissecam o cadáver como se estivessem olhando uma borboleta morta, fazem aquilo pelo bem de todos. Somente quem se afasta da Humanidade é capaz de desvendar o humano. Mesmo assim, por maior o nosso desejo de frieza, impossível não olhar o cadáver diminuto estendido sobre a mesa e pensar em tudo aquilo que ele deixou de viver, em todas as sensações que não teve tempo de sentir, em todos os sorvetes que não comerá, em todos os sorrisos que não dará, em todos os beijos que lhe serão negados, enquanto a curiosa pinça esgravateia o corpo sem defesas e a placenta jaz sobre a mesa, morta. Pior do que morrer é nem ter a chance de ter vivido.

Texto originalmente publicado no link https://artrianon.com/2017/10/22/obras-inquietas-47-a-licao-de-anatomia-do-dr-frederik-ruysch-1714-jan-van-neck/

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Obras Inquietas. 46 – “O homem em queda” (2014), James Wedge

Nessa semana, na minha coluna no “Obras Inquietas”, eu tratei de uma pintura de James Wedge chamada “O homem em queda”. A postura do homem em queda infinita e para sempre não-concretizada lembra uma fotografia icônica do século XXI, também chamada “O homem em queda”, de Richard Drew, que mostra um homem despencando para a morte após o atentado nas Torres Gêmeas nos Estados Unidos, em 2001.

Existe algo de terrível e de poético na forma com que o corpo se entrega à inevitabilidade da queda, desfazendo-se enquanto mergulha na direção de algo que não sabemos.

Boa leitura.

“O homem em queda” (2014), de James Wedge

 

Ninguém sabe precisar o momento – ninguém sobreviveu o suficiente para contar – mas existe um instante, um segundo talvez (um segundo no meio da eternidade da queda possui todos os tempos do mundo no seu interior), em que a barreira do corpo cede ao fascínio de despencar no abismo e o que era carne vira vento, o que era osso vira graveto, o que era sangue vira medo. Nesse fugaz momento, impregnado de delírio e de horror, o espírito perde as comportas que lhe confinavam no interior de pele e músculo e sente, pela primeira vez, as responsabilidades de ser livre. Nunca ficamos tão próximos de algum Deus quanto agora, o segundo em que perdemos os limites. Suspenso em uma queda que nunca será concretizada, o homem persiste caindo agora e para todo o sempre, desfazendo-se como poeira que volta a encontrar o seu destino, como deserto ondulando em dunas instáveis. O desconhecido – será um de nós? Será alguém que amamos? Será aquele para quem não estendemos a mão na hora certa, ou para quem faltou a palavra que poderia ter sido a âncora salvadora? – atravessa o vazio e se identifica com ele, lutando para manter uma coesão que, em breve, será destruída pelo concreto da realidade. Existe algo de conformismo no homem em queda; podemos escutar o grito que ele não solta ou imaginar os pensamentos que se destroçam na sua consciência esperando a chegada do fundo, do chão, do local em que a morte lhe espera sem ansiedade, enquanto olha para cima e vê o céu tão azul conspurcado por uma sombra que corre em sua direção.

Texto originalmente publicado no link https://artrianon.com/2017/10/01/obras-inquietas-46-o-homem-em-queda-2014-james-wedge/

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Obras Inquietas – 45. “Cão atacando gansos” (1769), Jean-Baptiste Huet

Quem acompanha minhas colunas sabe que gosto de quadros que narram cenas de alta tensão e que estão concentradas em um momento no qual o terror e a beleza confluem como uma pororoca, e esse é o caso da pintura que tratei no “Obras Inquietas”. Em “Cão atacando gansos” (1769), de Jean-Baptiste Huet, a cena revela uma luta feroz pela vida, em que um lado está fragilizado por causa do amor e o outro se sente poderoso pela imposição física – algo que vemos muito por aí.

Boa leitura.

“Cão atacando gansos” (1769), Jean-Baptiste Huet

É no silêncio do anônimo desfiladeiro que se travará a luta decisiva. De um lado, o cão imerso em ferocidade mal esconde a raiva com que contempla as suas futuras vítimas, os dentes salivando de antecipação; do outro, o casal de gansos antepõe seus corpos diante do inimigo, protegendo a ninhada ainda indefesa de filhotes. Sob a pata do cão, os gritos agônicos de um ganso demonstram que esse é um cadáver que ainda respira por uma mera questão de tempo. Os gansos sabem que não possuem chance alguma, mas precisam lutar a batalha impossível e o farão com dignidade. Não existe a possibilidade de virar as costas e fugir, não podem abandonar os filhotes à própria sorte (apesar desse pensamento incômodo às vezes surgir como uma sombra no meio dos olhos injetados de pavor). Eles agitam as asas e grasnam com tons ameaçadores, rezando para assustar o cão, mas o inimigo traz consigo o hálito sombrio da morte, e sustenta a posição, premido pela fome que o faz investir contra a família de animais. A morte nunca é algo pessoal, mas necessário: hoje são os gansos, amanhã quem sabe se não será o cão quem restará acuado? A angústia da cena é palpável, assim como a impressão de que somos os gansos encarando a inexorabilidade do assassino que enfim colocará um termo à nossa vida, e tudo o que podemos fazer é rezar para que o inimigo mostre piedade, só um pouco, e que seja rápido e indolor com nossos entes queridos. Ave caesar imperatori, morituri te salutant, e assim os gansos lutam não para vencer, mas para que seus filhotes possam sobreviver mais alguns minutos em meio a esse mundo impregnado de crueldades e certezas.

Texto originalmente publicado no link https://artrianon.com/2017/09/24/obras-inquietas-45-cao-atacando-gansos-1769-jean-baptiste-huet/

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Obras Inquietas 44. “Melancolia I” (1514), Albrecht Dürer

Na minha coluna dessa semana no “Obras Inquietas”, cheguei à 44a obra que me desperta algum tipo de desconforto, e a escolhida dessa vez foi “Melancolia I” (1514). do Albrecht Dürer. Não cheguei a ler “O símbolo perdido” do Dan Brown, mas certa vez me comentaram que essa pintura é o centro de onde saem todos os mistérios resolvidos pelo personagem principal. Não surpreende: “Melancolia I” tem 503 anos de idade, e ainda engatinhamos nas tentativas de entendê-la.

Não resisti à tentação de atualizar os símbolos constantes na pintura e, assim, na minha leitura da obra de Albrecht Dürer, fiz citações indiretas aos desenhos de Goya, aos desalentos de Nietzsche, aos receios de Bernardo Soares e, por fim, mencionei trechos da peça para vocal “La nuit”, de Jean-Phillippe Rameau, e da música “Bota pra fudê”, do Camisa de Vênus. Vai aqui o link de “La nuit”:

Boa leitura.

“Melancolia I” (1514), Albrecht Dürer

Tudo tende ao vazio. Ao nada absoluto. À irrelevância. O tempo se arrasta com a paciência de quem sabe ser eterno. Paralisado, o vento suspende a sua caminhada ágil e o ar fede à morte, à imobilidade das águas paradas. Na parede, o Quadro Mágico deixa entrever os mistérios que nunca serão desvendados; enquanto isso, o compasso repousa, indeciso, nas mãos tristes do homem que não sabe para onde ir – ou será um artista à espera da sempre traiçoeira inspiração? A imagem retorce-se lentamente em torno do seu próprio centro, como uma cobra saciada que dorme sob a luz de um sol morto; os animais, os anjos e o céu estão cansados, não conseguem sair da areia movediça caprichosa em que a inação do homem os colocou. Diante da enormidade daquilo que podemos ser e do fracasso inevitável dos nossos sonhos, sentimo-nos insignificantes, incapazes de romper a inércia, incapazes de escapar do buraco negro que mora no nosso peito e diz que não podemos ser nada, que nunca seremos nada, que na nossa lápide estará escrito “nada”. Existe uma beleza tão bonita quanto o sonho, existe uma verdade mais doce do que a esperança? Qual o sentido de viver, se não conseguimos escapar de nossas fraquezas? Se nada acontece, a vida então se repete? Dentro da imagem se esconde o segredo dos erros sempre iguais, da sensação de desalento que às vezes nos acomete, da procrastinação das tarefas, do medo de começar para, então, falhar. A Melancolia é um veneno lento que sufoca a nossa liberdade – é o cadáver silencioso que nos segue dentro da sombra, sempre lembrando que somos humanos, demasiado humanos.

Texto originalmente publicado no link https://artrianon.com/2017/09/10/obras-inquietas-44-melancolia-i-514-albrecht-durer/

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Obras Inquietas – 43. “Mulher chorando” (1947), Cândido Portinari

Nessa semana, na minha coluna no Artrianon, eu falei sobre uma obra pouco comentada de Cândido Portinari, “Mulher chorando” (1947). A postura pasma e um tanto bovina da desconhecida revela uma mulher acostumada a sofrer e que, ainda assim, deixou a dor assumir o controle dos seus atos. Temos mais dúvidas do que certezas, mas todos nos identificamos de alguma forma com essa mulher e seu choro dolorido.

Boa leitura.

“Mulher chorando” (1947), Cândido Portinari

No silêncio da imagem, um olho mal consegue esconder o espanto, a incredulidade, a dor. As mãos desajeitadas, disformes depois de tantos anos de maus-tratos e de serem usadas até os limites das suas forças, amparam o rosto como se nunca tivessem tocado a pele que envelhece mais rápido do que o tempo. Ela não é uma mulher acostumada a acariciar e, no gesto paralisado, existe algo de mecânico, de desconforto. Do olho fechado, o silêncio dolorido cede diante do peso da sua existência e brota na forma de uma lágrima impregnada de desespero. Ela não é bonita, e sequer sabe se vestir com a elegância irreal que a sociedade exige. A mulher não se preocupa com ser, e sim com o que é, e, nesse momento, ela está preenchida pela dor, que se espalha no mundo através do olho ainda cheio de surpresa, pelo outro semicerrado que permitiu a fuga da lágrima traiçoeira. Ninguém sabe o motivo pelo qual a mulher ali jaz em silenciosa contemplação. Ninguém conhece o seu nome, ou qual o peso que angustia a sua consciência. Ainda assim, reconhecemos nela o incômodo reflexo das vezes em que choramos sozinhos no escuro, das ocasiões em que nos sentimos sufocar no meio do cotidiano, dos momentos em que perdemos o controle. Não perguntes por quem a mulher chora, pois ela pranteia todos nós.

Texto originalmente publicado no link https://artrianon.com/2017/09/04/obras-inquietas-43-mulher-chorando-1947-candido-portinari/

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Obras Inquietas – 42. “O boxeador de Quirinal” (330-50 a. C.), Anônimo

Na minha coluna dessa semana no Artrianon, eu tratei da escultura “O boxeador de Quirinal”, feita por um artista cujo nome se perdeu no tempo, estimativamente concluída entre os anos de 330 e 50 a. C., ou seja, existem fundadas dúvidas sobre a sua idade. Acredita-se que ela mostre o famoso boxeador Theogenes, campeão absoluto de boxe na Grécia por muitos anos.

Ainda que muitas pessoas considerem a postura do boxeador como se ele estivesse repousando – inclusive intitulam a estátua como “O boxeador em descanso” -, eu percebo, pelo olhar meio agoniado que ele dirige a um interlocutor invisível, a pergunta que todos temem ter que responder: chegou a hora das derrotas se tornarem mais frequentes do que as vitórias? Passei do meu apogeu?

Enfim, são reflexões. Quem estiver disposto, sugiro ler esse texto com a bela música “The Boxer” do Simon e Garfunkel como fundo sonoro.

Boa leitura!

“O boxeador de Quirinal” (330-50 a.C.), Anônimo

 

Sentado, o boxeador não tem somente o peso da idade a prostrar a sua coluna, mas também a sombra de algo desconhecido que desce sobre seu corpo e lhe preenche de medo, algo que se mistura ao gosto amargo do sangue e à bile que tenta escalar a sua garganta. É a derrota que experimentou pela primeira vez e, agora, crava dentes ansiosos no seu espírito até então confiante e invencível. Então, é assim que os fracassados se sentem: cercados por rostos indiferentes, por risadinhas desconfortáveis, pela pena. Ele ainda está atordoado; não imaginava que o adversário fosse tão rápido, que seus golpes fossem tão potentes, que a sua resistência fosse tão fácil de ser batida. Os dedos cobertos de cortes e machucados ainda recendem a uma mistura enjoada de sândalo e de esperança; no rosto, cicatrizes espreitam os olhos impregnados de abismo e de angústia. A batalha está cada vez mais se afastando no passado, mas ele sente os grãos da areia do ringue ainda queimarem no seu rosto onde o sangue crava marcas ciumentas por entre riscos, feridas, hematomas. Perdeu alguns dentes, seu nariz está quebrado, os dedos fraturados, mas o pior é o espírito que, jogado sobre a pedra, sabe que aquela é só a primeira de uma sequência de derrotas. Agora que ele tombou diante da arrogância dos jovens, a tendência é cair cada vez mais, até se transformar em uma sombra do lutador inexpugnável de outrora, um andrajo que se arrasta por ringues cada vez mais fedidos e menores. A primeira derrota queima na sua memória, mas nada é pior do que a vergonha de descobrir que, afinal de contas, Theogenes, o boxeador, é só mais um humano prestes a ser engolido pela Velhice e pelo Medo.

Texto originalmente publicado no link https://artrianon.com/2017/08/27/obras-inquietas-42-o-boxeador-de-quirinal-330-50-a-c-anonimo/

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Obras Inquietas – 41. “O violinista” (1967), de Oswaldo Guayasamín

Não é sempre que tenho a oportunidade de falar sobre a pintura latino-americana, que tenho como uma das expressões artísticas mais fortes do continente inteiro. Nessa semana, na minha coluna no Obras Inquietas lá no Artrianon, eu falei sobre o pintor e escultor equatoriano Oswaldo Guayamasín, e sobre um quadro de estilo expressionista que gosto muito, “O violinista”. A ideia de um músico tocando um instrumento sem cordas, usando somente a memória como combustível, sempre me comoveu, pois a transporto para o fazer literário. Aproveitei o texto para lançar uma dúvida que atormenta por anos a filosofia, “pode existir música sem som?” (segundo Adorno pode sim, e eu também acho isso), e para dizer que a idealização de algo é sempre melhor do que a realidade e suas asperezas.

Boa leitura.

“O violinista” (1967), de Oswaldo Guayamasín

Dentro do instrumento mora o sonho da música. Sem cordas, o violino não passa de uma caixa de madeira repleta de melancolia e de arranhões da época em que era jovem, exceto para o homem que o segura e, de olhos fechados, toca uma melodia invisível. Assim como o violino, o homem já passou por tempos melhores. Seus ossos quebradiços e a pele colada aos ossos revelam a fome do corpo, mas a expressão enlevada do rosto mostra que o seu espírito ainda brilha; a música que mora na sua memória é melhor do que a de qualquer outro instrumento, humano ou divino. Tiraram tudo dele, a sua roupa, a dignidade, a esperança, mas ainda existe música dentro do silêncio, ressoando nas cordas rompidas, espiando por entre os dedos que insistem em notas indiferentes. Uma lágrima discreta escorre, mas o homem está concentrado demais para limpá-la, perdido no fundo da recordação de um período da sua vida em que a música não estava confinada em um instrumento morto, mas solta e lampeira correndo pelo ar, brincando com a imaginação e com os sonhos dos ouvintes, agregando-se a eles e fazendo-lhes sorrir ou chorar. Dentro do devaneio, o homem pensa tocar o violino, mas é o objeto que maneja o artista, tirando as notas mais ardilosas e enigmáticas da memória daquele que um dia o dominou. Dentro da sua imaginação, a música é perfeita, e se despeja pelo mundo como o instrumento jamais conseguiria, e por isso o homem chora, tanto pelo o que perdeu quanto pela música que está enterrada para sempre no interior do seu corpo quebrado pela vida. Assim como há música sem som, também não é impossível que uma música imaginária seja mais forte do que a realidade, e não existe amor mais impossível do que o de um instrumento pelo seu musicista entristecido.

Texto originalmente publicado no link https://artrianon.com/2017/08/20/obras-inquietas-41-o-violinista-1967-oswaldo-guayasamin/

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