About

A melhor definição da minha vida até o momento está na contracapa do livro “O Homem Despedaçado”. Vamos a ela:

GUSTAVO MELO CZEKSTER nasceu em Porto Alegre, em 1976. Cursou a oficina de criação literária de Luiz Antonio de Assis Brasil em 2000 e a de Léa Masina em 2001. É advogado e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS.

Excelente definição. Diz tudo o que é necessário saber a meu respeito: nome, idade, formação literária e acadêmica, profissão. Na minha opinião, não era necessário saber mais a meu respeito. Se o meu blog pudesse falar, ele teria uma voz melíflua, incolor, quase como se um computador estivesse falando. O autor não teria materialidade alguma (meu sonho de consumo).

Contudo, não é o que as pessoas pensam. O mundo gosta de detalhes, e esta definição não abarca quem sou. Por exemplo, por esta definição, é impossível saber que escrevo desde que nasci, e as oficinas literárias só deram vazão e formato para a catarata. Da mesma forma, ninguém saberia que participei da antologia “Contos de Oficina 24” e lancei meu próprio livro de contos em 2011, “O Homem Despedaçado”. Ninguém saberia também que lancei meu livro em 2011 aproveitando o ano cabalístico no qual o meu aniversário, 11/11, seria formado por seis números iguais, ou que existe uma convicção geral de que o mundo vai terminar em 2012 e era melhor lançar o livro antes que tal fato ocorra (talvez estes fatos sejam lendas, talvez não). Ninguém saberia que eu passo o dia inteiro escrevendo petições, recursos e ações e que, ao chegar em casa, escrevo contos, ensaios, romances. Ninguém saberia que fiz o mestrado em Literatura Comparada por que nunca tinha feito TCC no Direito e sofria em silêncio por nunca ter escrito uma obra crítica de maior vulto. Ninguém teria ideia de que escrevo artigos e ensaios somente por diversão e pelo prazer do bom debate comigo mesmo, ou que a minha obra completa soma a quantia de OITO caixas de papelão repletas, as quais tenho medo de abrir por não saber o que elas podem conter (inclusive insetos e outras ignomínias). Ninguém saberia que sou fã ardoroso da Literatura Comparada e também do Direito, meu coração tem espaço para estas duas paixões e mais algumas.

Lendo somente a definição padrão contida na contracapa do livro, ninguém saberia destes detalhes. Não os considero relevantes. Não considero quase nada relevante, com exceção de escrever. E aí está a razão de ser deste blog: criar um espaço onde possa libertar o meu trabalho das gavetas em que os confino e, ao mesmo tempo, abrir um canal de comunicação e mostrar um pouco da agitação que perpassa meus pensamentos.

Não me divirto fazendo isto. Escrevo por que preciso. Não tenho grandes ambições quanto a escrever. Não tenho pretensões de imortalidade, desejos de me tornar milionário e nem mesmo ânsia para ser famoso (acho um anacronismo a pessoa almejar fama escrevendo, pois uma história necessita criar vida por si só, e a visão do criador que lhe deu formato é mais ou menos como assistir o manipulador de um teatro de marionetes). Na minha concepção, ser lido já é uma experiência luxuosa.

Bem, acho que a minha definição ficou melhor depois deste intróito. Agora, quem quiser saber mais, precisa ler o blog e procurar as migalhas de detalhes que estão no meio dos textos.

Eu, com uma camisa irônica

22 Respostas para “About

  1. Claudia Giuliano de Azevedo

    Ok! Eu não tenho a mesma habilidade do autor com as palavras, nem sei o significado de ‘melíflua’…mas tenho total capacidade para perceber a grandeza do escritor. Sabendo um pouco mais sobre GUSTAVO MELO CZEKSTER me ocorre que “luxo é…termos em nossa cidade, tão próxima, uma escrita refinada, vibrante e que nos conduz ao prazer pela qualidade”.
    MUITO SUCESSO!!!
    Claudia G Azevedo

    • Querida Cláudia, obrigado pelas tuas delicadas palavras! Também sou teu fã, e sabes que teu talento é diretamente proporcional à tua delicadeza. Se queres saber o que é “melíflua”, basta te olhares no espelho. Um beijo, e obrigado 🙂

  2. Pingback: HOMO SAPIENS

  3. Olá Gustavo descobri você lendo um post no blog do Literatortura, amei seu jeito de escrever e agora vou ficar de olho no seu blog. Parabéns pelo trabalho, você me inspirou ;-). Geise.

  4. Sacha

    Engraçado que eu estava pesquisando um pentágono e um hexágono para uma professora, abri a imagem para copiar e achei curioso o nome do blog de onde vinha a figura, não nada pedagógico como de costume.. abri por curiosidade e descobri esse tesouro de leituras fascinantes, como há muito tempo eu não encontrava. Ganhou uma fã Gustavo!! 😉

  5. Fatima Torri

    Gustavsen, entrei no teu blog. gostei do que vi, li. tu és muito jovem para ser tanta coisa. ou tanta coisa em vida pouca? vá saber. buenas, ahora te sigo. sigote. besos

    • Hahahahahahaha, obrigado pelo “jovem”, Fátima, mas já não fervo na primeira água! Bom saber que gostaste da leitura, espero que visites o blog mais vezes. Beijo! 🙂

  6. Bom dia! Também escrevo desde sempre e compartilho do seu posicionamento: não quero fama, nem dinheiro em função disso. Atualmente escrevo pensando em publicar, sempre há algo de bom em meio a tantos parágrafos, que podem estar destinado a alguém que eu não sei quem é. Também sou advogado, mas trabalho em um banco. Ano que vem pretendo voltar a estudar, Letras ou Filosofia, ainda não me decidi. Um prazer encontrá-lo. Grande abraço! Reginaldo

    • Que legal, Reginaldo! Tua ideia do motivo de escrever é a mais válida de todas: nunca se sabe qual parágrafo pode acabar atingindo uma pessoa e modificando a sua vida. Um prazer contar com a tua leitura e, quando publicares algo, por favor me avise. Um abraço!

  7. Ketilyn Almeida

    Olá Gustavo,
    Parabéns pelo espaço, é muito bacana!

    E pode me passar um e-mail para contato?
    Obrigada!

  8. Prezado Gustavo,
    Meio por acaso, meio sem querer, descobri teus textos aqui no blog. Confesso que fiquei emocionada com os textos que li.
    Obrigada pela companhia nessa noite de sábado!!!

  9. Cheguei ao seu blog procurando referências sobre Antonio Di benedetto…pouco conhecido mas profundamente estimado.
    Belo blog. Ficarei de olho nas próximas postagens. 😉

  10. Prezado Gustavo,

    Convido você a visitar o blog-romance O Rio e o Mar, postado em capítulos no endereço: orioeomar.blogspot.com.br

    A história se passa na cidade do Rio de 1904, em dias em que o banho de mar era somente uma atividade terapêutica e a cidade vista como o cemitério dos estrangeiros. Mais que detalhes de época, esses fatos desencadeiam as tramas de adultério, poder, ambição e revolta do romance. Decerto, que esses são temas tão velhos quanto à literatura. Porém, o foco no que permanece de suas questões, em meio ao que mudou e continuar a mudar, seja o frescor de revisitar um passado que nos pertence.

    Será uma satisfação saber que visitou o blog.

    Aproveito a ocasião e lhe desejo boas festas e um feliz 2015.

    Maria Tereza, a autora.

  11. Gustavo
    Novo livro de contos. Comentários são benvindos. Perdoe a intrusão.
    http://www.7letras.com.br/pequenas-estorias.html

  12. Gladistone Gripp

    Diria apenas uma palavra sobre o que li: Inspirador.
    Agradecido.

  13. Carol Nebula

    Olá, tudo bem?
    Cai de paraquedas em seu blog, espero voltar aqui mais vezes. Sucesso e paz.

  14. Cristina M.

    Eu sonhei que vc escrevia um texto sobre essa música…. por favor, faz um?

    Cris

  15. Parabéns! Compartilho de muitos dos seus conceitos e aprecio a fluidez de sua escrita! Gostei muito quando, na descrição de si e do que o leva a escrever (detesto quando perguntam o “motivo”, como se o ser humano fosse mera máquina movida sempre por “motivos determinantes determinados”), descreveu: “… Escrevo por que preciso. Não tenho grandes ambições quanto a escrever. Não tenho pretensões de imortalidade, desejos de me tornar milionário e nem mesmo ânsia para ser famoso (acho um anacronismo a pessoa almejar fama escrevendo, pois uma história necessita criar vida por si só, e a visão do criador que lhe deu formato é mais ou menos como assistir o manipulador de um teatro de marionetes). Na minha concepção, ser lido já é uma experiência luxuosa”

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