Sobre Philip Roth

No ano passado, eu tive a oportunidade de falar, no Café Literário da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, sobre Philip Roth. O vídeo andava por aí, na internet, e pretendo escrever um ensaio mais dilatado sobre o escritor. A fala pública tem armadilhas e esquecimentos que impedem um desenvolvimento regular dos assuntos que realmente seriam interessantes, até por que preciso me ajustar ao público.

No entanto, enquanto o ensaio não vem, e em preparação para a estreia próxima de um programa virtual sobre literatura que farei com um colega escritor (chamam de videolog, creio), em que falaremos sobre literatura e arte, coloco aqui o vídeo da apresentação. Estava acompanhado na mesa da Clarice Kowacs, minha colega de afazeres literários e psicanalista.

Gosto muito do início da minha fala, o que acontece lá pela metade do vídeo, pois foi resultado do mais absoluto improviso. Enquanto eram feitas as apresentações dos currículos, observei que os sobrenomes dos três integrantes da mesa possuíam a letra K bem forte – Kowacs, Czekster e Knijnik. Inicio com uma alusão a este fato e, em seguida, menciono a existência de um outro “K” bem famoso, o personagem de Kafka. Quando a minha fala se dirigia no sentido de uma abertura canônica, entrelaçando Philip Roth e Franz Kafka, inverto novamente o jogo e menciono outro “K” mais famoso ainda e “de um escritor maior do quer Kafka”: o “K” dos Karas, grupo de alunos que aparece em “A droga da obediência”, de Pedro Bandeira. Heresia literária pouca é bobagem. Em seguida, contei uma cena extremamente nojenta do livro – ainda não acredito que falei sobre “escrever com fezes” para um grupo de psicanalistas – e liguei a outra cena inesquecível de “O teatro de Sabbath”, do Philip Roth, para então começar a minha fala.

Gosto deste início por ser semelhante a uma abertura agressiva do xadrez, o “Gambito Letão”, mas claro que em uma fala pública, sem jogadores oponentes e usando a literatura como se fossem as peças do jogo.

Bom, eu achei divertido. Ainda acho. Foi um bate papo bem legal.

 

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Arquivado em Literatura Contemporânea, Pedro Bandeira, Philip Roth, Temas de crítica literária

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