Arquivo do mês: julho 2013

Texto inspirado em “O Homem Despedaçado” no blog “El alacrán clavándose el aguijón”, do Cassionei Niches Petry

Na condição de alguém que estudou e é apaixonado por Literatura Comparada, sempre defendi a ideia de que um texto reverbera nos outros, com maior ou menor intensidade, existindo um diálogo constante entre todas as obras literárias que já foram escritas e aquelas que ainda esperam para ser. O texto capaz de suscitar o maior número de discussões com outros é aquele que sobrevive aos tempos.

Por este motivo, fiquei especialmente feliz quando soube que o Cassionei Niches Petry – duplamente colega, tanto no mestrado em Letras quanto no ofício de escritor – tinha escrito um texto do seu projeto “Eles” baseado no meu livro de contos. Ficou muito legal. Deu uma outra dimensão para o meu conto; apropriando-se dos temas que eu criei, o Cassionei fez a sua própria leitura e reescritura do conto “O homem despedaçado”, comparando os pedaços do espelho com os aforismas do livro do Marcelo Backes. Uma combinação explosiva e que, para minha honra, ficou excepcionalmente interessante.

Segue o link:

http://cassionei.blogspot.com.br/2013/07/cacos-eles-v.html?spref=tw

Boa leitura, pessoal.

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Arquivado em Literatura, O Homem Despedaçado

Resenha de “O Homem Despedaçado” no Iluminerds

Ando um pouco displicente em falar aqui no blog sobre as leituras que tenho feito, os filmes que andei assistindo e, em especial, algumas resenhas e comentários que foram feitos nos últimos tempos sobre “O Homem Despedaçado”, que, para os leitores que ainda não sabem, foi o livro de contos que lancei pela editora Dublinense em 2011.

Mas começarei a purgar este pecado destacando uma linda resenha feita pela escritora Ana Idris sobre o meu livro. Já conhecia o trabalho da Ana Idris, que, além de fazer resenhas, também escreve contos e crônicas, fomentando assim os blogs nos quais participa, tanto o seu quanto outros. A resenha foi publicada no site Iluminerds (www.iluminerds.com.br) e a Ana, que é uma leitora tão atenta quanto uma escritora profícua, desvendou algumas chaves de leitura para “O Homem Despedaçado”. Adorei também as imagens que escolheram para adornar a publicação, ficaram lindas e geraram novas possibilidades de análise.

Segue o link:

http://www.iluminerds.com.br/literatos-o-homem-despedacado-de-gustavo-melo-czekster/?fb_action_ids=488031301271524&fb_action_types=og.likes&fb_ref=below-post&fb_source=other_multiline&action_object_map={%22488031301271524%22%3A217025985113484}&action_type_map={%22488031301271524%22%3A%22og.likes%22}&action_ref_map={%22488031301271524%22%3A%22below-post%22}

Boa leitura!

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Arquivado em Literatura, O Homem Despedaçado, resenha

A efemeridade do beijo

É claro que há sofreguidão. E urgência. O beijo vai acabar assim que o sol voltar. Ele é rápido e voraz. As figuras mal tiveram tempo de se formar – ainda estão incompletas – e já trocam hálitos gelados, tentando se esquentar, sabendo que o suor irá extingui-los e, mesmo assim, mesmo sabendo que a morte lhes aguarda, não param o beijo.

Fascina-me que, entre tantas imagens que as pessoas poderiam fazer com a fugaz neve que assolou a Região Sul do Brasil nos últimos dias, alguém se esforce em retratar um beijo. E não é um castiço encontro de lábios; é um beijo absoluto, de corpos e de almas.

Encostado na árvore, o homem é atacado por um beijo apaixonado. Tão quente que é capaz de fazer a neve derreter, mas não importa. Nada mais importa, só o momento.

Só o beijo.

Eles nascem para serem efêmeros. Nenhum beijo é igual ao anterior, nenhum será igual ao posterior. Assim como o rio do Heródoto, ninguém tem o mesmo beijo duas vezes. Ele existe e morre enquanto acontece – esta é a sua dor e a sua glória.

Só existe uma maneira de prender o segundo e transformá-lo no eterno, e é através da arte. Existem muitos beijos famosos na escultura, na pintura, na fotografia, na música, na poesia. Quase todos eles dialogam com a ideia de permanência, de manter aprisionado o momento em que a respiração vira uma e o tempo pára.

No entanto, mesmo em algo tão efêmero como um beijo, existem centenas de pequenos infinitos. O artista que percebe este detalhe é aquele capaz de transmutá-lo em obra: não existe nada definitivo. Em cada gesto, estamos sempre vivendo em um sem-fim de momentos que surgem e desaparecem. Vagalumes na nossa escuridão. Até mesmo na entrega do beijo, somos várias pessoas diferentes, envolvidas em um número inimaginável de possibilidades.

É assim que Rodin imagina o beijo perfeito:

"O beijo", Auguste Rodin

“O beijo”, Auguste Rodin

É um ato de conhecimento. De mútua busca. Os lábios se tocaram há poucos segundos. Os corpos ainda não sabem como reagir. As figuras estão completamente absorvidas; o mundo apagou ao seu redor. A languidez que se adivinham nos gestos (o braço da moça enlaçando o pescoço, a mão do homem pousada na coxa desnuda como se ela queimasse) antecipa a rendição ao sentimento.

O fato desta escultura prender a nossa atenção não é o beijo em si, mas sim o que ele representa: a ideia de que todo sentimento é eterno, imutável, esculpido em rocha. A ilusão de que o beijo pode durar para sempre. Não vai. Nem pedras duram para sempre.

Verlaine prefere deixar o beijo líquido, inebriante:

Il Bacio

O Beijo! malva-rosa em jardim de carícias!

Vivo acompanhamento no piano dos dentes

Dos refrãos que Amor canta nas almas ardentes

Com a sua voz de arcanjo em lânguidas delícias!

Divino e gracioso Beijo, tão sonoro!

Volúpia singular, álcool inenarrável!

O homem, debruçado na taça adorável,

Deleita-se em venturas que nunca se esgotam.

Como o vinho do Reno e a música, embalas

E consolas a mágoa, que expira em conjunto

Com os lábios amuados na prega purpúrea…

Que um maior, Goethe ou Will, te erga um verso clássico.

Quanto a mim, trovador franzino de Paris,

Só te ofereço um bouquet de estrofes infantis:

Sê benévolo e desce aos lábios insubmissos

De Uma que eu bem conheço, Beijo, e neles ri.

Paul Verlaine, “Caprichos” [conforme tradução de Fernando Pinto do Amaral].

A comparação com o vinho deixa o beijo sensual. Ao mesmo tempo em que paralisa o corpo, o beijo se renova no fundo da boca da outra pessoa, fazendo com que o sorriso lhe suceda. Verlaine próprio se recusa a tecer versos ao beijo, pede para que outros poetas tratem do assunto. Ele prefere tratar do mergulho no sentimento, da embriaguez que é beijar o ser amado. O poeta não subestima o beijo; sabe que é único, pois cada um tem o seu próprio sabor. E ele é intoxicante. Sempre.

Mas existem beijos possessivos, aqueles em que os apaixonados se recusam a se afastar. Um beijo de olhos e de algo mais. Brancusi foi quem o esculpiu:

"Beijo", Constantin Brancusi

“Beijo”, Constantin Brancusi

O escultor captou outro segundo da efemeridade do beijo, aquele momento em que os apaixonados acreditam que nada pode se imiscuir no caminho deles. Eles acreditam serem invencíveis e formarem uma unidade indissolúvel. Logo o instante passará (todos passam), mas, no tempo da sua duração, houve um delirante espaço em que dois acreditaram ser um, contra todas as leis da Física. Acreditaram que nada seria capaz de separá-los. Estão errados, mas a ilusão sempre é o melhor ópio.

Na minha concepção, o beijo mais realista foi mostrado por Magritte. É um quadro que perturba a visão, mas fascina.  Por mais que tentemos disfarçar, nunca saberemos que está realmente do outro lado do beijo. Cada pessoa é dotada da sua própria experiência, da sua carga de emoções em relação ao que está envolvido. Não beijamos outra pessoa, beijamos a idealização que construímos.

"Os amantes", Magritte.

“Os amantes”, Magritte.

Da mesma forma que Magritte, acredito que somos sempre duas máscaras a nos beijar. Mais pressupomos o outro do que o enxergamos. Um beijo também é um mistério e, neste momento, o pintor captou a efemeridade mais amarga que existe em um gesto de carinho: nunca saberemos se atingimos o objetivo. Nunca saberemos se realmente beijamos o outro ou se estamos apreciando a sua imagem, e isto explica por que tantos beijos acabam em frustrações. Nunca o primeiro. Este sim é o verdadeiro, o singular. Aquele em que as máscaras primeiro se conhecem.

No entanto, também podemos ser otimistas. O beijo também é um enorme clichê, e existe algo extremamente pícaro em uma obra de arte ganhar vida para roubar um beijo do seu senhor, como Jean-Léon Gêrome retratou:

"O beijo de Pigmalião e galatéia", de Jean-Léon Gêrome

“O beijo de Pigmalião e Galatéia”, de Jean-Léon Gêrome

Gosto muito neste quadro que Galatéia mal terminou de virar humana e já busca o beijo do seu criador, como se não pudesse esperar, ansiosa pelo toque quente do outro. Pode ser um capricho do Cupido, que dá risadas no canto da tela. A história de Pigmalião e Galatéia sempre se relacionou com a vontade do artista de criar vida na obra, a sua capacidade de se apaixonar pelo próprio trabalho. Efemeridade e permanência dialogam neste quadro através de um beijo maroto, roubado no ateliê do artista. Vale a pena ser eterna sem amar? É melhor ser de carne e frustrações do que uma idealização impossível, só presente em um quadro? É preferível abandonar aquilo que se é para entrar no mundo do outro ou viver na segurança das coisas eternas? Todas estas dúvidas existem no espaço de um beijo.

E, assim, retorno para a foto inicial. Um beijo de gelo quente. Quando surgiu, a neve não imaginava que este seria o seu destino: representar algo efêmero, algo humano. Mas, justamente por aceitar este destino, a estátua de neve se rende com mais facilidade à ideia de que é somente passagem, não conclusão. Ponte, não porto seguro. Aproveitará o beijo ao máximo, sabendo que logo não mais existirá, mas que valeu a pena cada segundo do que sentiu.

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Sobreviver à rejeição

Imaginem a cena: o autor fica meses, às vezes anos, da sua vida preso em uma história. As palavras vem e vão, depositando-se na folha como impurezas trazidas por uma onda do mar, e cabe ao escritor transformar a areia insossa em vitral de igreja. Ao mesmo tempo, é necessário refletir no ritmo, na cadência da trama. Enquanto isto, personagens desobedientes entram em dilemas e tentam escapar dos seus limites, sempre se esgueirando por salas em que não devem entrar, assumindo atitudes incompatíveis com a sua personalidade volátil. Muitas e muitas horas de trabalho solitário, sofrido e lento. Ao final, no último ponto, o autor pensa que se libertou do seu demônio: se não é aquilo que imaginou, foi o que saiu, e é suficiente. O papel aceita tudo.

Então, o autor deseja algo mais para que a relação com a Literatura exista no mundo real (pois, até então, tudo não passa de um escrito). Ele precisa do segundo leitor, aquele que pode ler e conversar sobre o livro, cuja impressão pode acrescentar novos elementos na escritura. De tão próximo da história, o autor pode acabar se confundindo; o segundo leitor é aquele que, com olhos distintos, verá a obra como ela realmente é, como será vista pelos outros. É prudente escolher um amigo ou alguém que pensa igual. Não podemos nos esquecer que escritores são criaturas sensíveis.

Sensíveis… e malandros. O autor manda a obra para uma mulher com quem esteve amorosamente envolvido, muitos anos antes, e com quem, hoje, só restou uma relação de amizade quase fraterna. Ele tem seus motivos. É uma mulher inteligente, detentora de uma vasta gama de conhecimentos culturais. Não só isso: patrocina escritores, pintores e escultores e, ao seu redor, se concentra a fina nata intelectual de Paris. A leitora ideal para aquele tipo de livro.

Momentos de tensão, enquanto o livro vai para a leitora e não volta. Como estará a leitura? Estará agradando ou desagradando? Secretamente, o autor espera elogios, mas a verdade será suficiente. Todo dia ele olha pela janela, esperando o correio. E, em um dia indeterminado,  recebe esta carta como resposta:

“Não vou tergiversar, mas digo apenas que estou surpresa que você, com a sua imaginação, com a sua admiração por tudo o que é belo, que justamente você tenha escrito, tenha se divertido em escrever algo tão horrendo como este livro! Acho tão feio tudo isto! – e o talento que você colocou neste livro duplamente detestável! Para dizer a verdade, não li palavra por palavra; na verdade, conforme mergulhava aqui e ali no livro, sentia-me sufocar como aquele pobre cachorro que jogam no ‘Grotto del cane’ [Gruta do cão].

Não entendo como você pôde escrever tudo isso! – onde não há absolutamente nada de belo, nem de bom! E certamente virá o dia em que você vai perceber que tenho razão. Para que revelar tudo que é esquálido, miserável… ninguém consegue ler este livro sem se sentir mais infeliz e ruim.

Não sei quais seriam os sentimentos de sua mãe, mas ela deve sentir um desgosto mortal ao ver uma semelhante obra!… agora chega de madame de Bovary [sic] e não falemos mais nisso!”

(Carta de Gertrude Tennant para Gustave Flaubert, enviada em 1857).

Com certeza, foi um balde de água fria nas pretensões de Flaubert. Mas ele insistiu: lançou o livro. Irei passar ao largo das discussões que foram realizadas com o editor ou das dúvidas que outros leitores prévios lançaram sobre a viabilidade da história de Madame Bovary. Basta saber que a história foi apresentada aos leitores em fascículos – e com pequenos cortes.

Quando lançado, podemos dizer que poucas obras despertaram tantas críticas negativas quanto “Madame Bovary”. Toda a sociedade literária parisiense se horrorizou. Era o oposto daquilo que se considerava literatura; um grito de subversão em um universo que se pretendia ordenado. Consultando os manuais de História da Literatura, percebemos que os críticos lutaram para ver quem fazia a crítica mais ferina e destruidora do livro, em um rol de criatividade que poucas vezes se viu na recepção de uma obra.

E Emma Bovary continuou incólume.

Não suficiente, Gustave Flaubert foi processado, em conjunto com o editor, Laurent Pichat. Foi um processo desgastante, em que se analisou a pornografia e os maus exemplos dados pelo livro. Flaubert acabou sendo inocentado, mas antes cunhou a frase que sintetizaria o processo: “Emma Bovary c’est moi”. Uma frase que, mais do que uma defesa jurídica, também é um estatuto da liberdade da criação artística.

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Lendo a carta enviada por Gertrude Tennant, as reações virulentas dos críticos e a história do processo judicial por indecência, é impossível não pensar na rejeição. Em algum momento da vida, todos irão sofrê-la. Quando se trata de algo que foi feito com amor e dedicação, a rejeição é ainda mais dolorosa, mais impactante. Em certos momentos, os críticos deixaram de analisar o livro e passaram a ridicularizar a figura do homem que lhe engendrou. Na carta de Gertrude, até a memória da mãe de Flaubert foi invocada para lhe demover.

A História da Literatura só conta a luta de Flaubert e a sua persistência. Ninguém recordará das incertezas que o autor teve ao ser confrontado com os problemas da sua criação. Ninguém saberá das noites que Flaubert passou acordado pensando nas críticas que lhe atingiam. Ninguém saberá se ele chorou em silêncio ou se adoeceu de agonia, ou se descarregou a raiva recolhida em algum cachorro incauto que atravessou o seu caminho. Ninguém saberá se não teve medo de ser preso por causa daquilo que a sua imaginação deu origem. Ninguém nunca descobrirá se ele chegou a odiar Emma Bovary e as suas traições.

Muitos autores tiveram obras seminais rejeitadas em determinados momentos da sua trajetória. Pintores tiveram quadros recusados, músicas foram descartadas como inaudíveis. Os verdadeiros artistas persistiram no esforço de mostrar a arte que atormentava o seu espírito. Insistiram até o limite da insanidade; mesmo rejeitados pelo público e pelos críticos, enfrentaram a rejeição, confiando somente na força da sua produção.

Basta ser humano para saber o que é ser rejeitado. Todos nós já fomos. Muitos não resistiram e se renderam ao establishment: desistiram de amores, de carreiras, de sonhos. Outros continuaram lutando, não interessa o quão certa ou equivocada seja a sua visão. No final das contas, só existe uma forma de resistir à rejeição: acreditar na própria verdade. Quanto mais energia se conseguir desta visão, mais fácil será resistir à violência natural do mundo.

A questão nunca é ser derrubado pelos outros. Tal fato é inevitável. A questão, sempre, é como iremos nos levantar.

Todos sabem como terminou a história de Flaubert: “Madame Bovary” é considerada a obra que deu início à literatura realista. Sobreviveu aos tempos e, até hoje, é lida e admirada. Pensar que o livro esteve tão próximo de desaparecer do mundo (por influência de amigos, da sociedade, da família, da crítica e até mesmo da Justiça), que bastava um desvio ou uma hesitação para que a história de Emma Bovary nunca fosse lida, é algo que me deixa pensando em quantas pessoas e ideias originais foram sepultadas pelo medo da sua recepção.

Também me faz pensar em quantos livros vi o autor buscando a complacência do público, com medo de ousar e ser descartado. É impressionante a quantidade de artistas que não sabe lidar com uma eventual rejeição; depois que se lê por tempo suficiente, é possível ver o instante em que o escritor podia tentar o pulo mais ousado… e refugou, com medo de ser rejeitado. Se tem algo que me indigna, nas minhas leituras, é a covardia e o medo do autor e, acreditem, dá para sentir o cheiro adocicado do pavor saindo da história.

Talvez a maior prova que qualquer pessoa pode passar é a rejeição. Somente na batalha a pessoa é capaz de afirmar a sua verdade até para si próprio. E, neste aspecto, o exemplo de Gustave Flaubert é consolador: a opinião dos outros não importa, o que realmente vale a pena é lutar pela sua alma. Bom momento para lembrar da frase que servia de mote para o escritor francês: “seja regular e ordenado na sua vida, para que você possa ser violento e original no seu trabalho”. Aí está o segredo.

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