A corrida da cheetah

Todos os dias, o meu perfil no Facebook e o email são encharcados por vídeos pseudo-motivacionais e mensagens edificantes. Existem pessoas, inacreditáveis seres, que acordam e passam boa parte do dia bolando vídeos, sincronizando músicas e escolhendo textos com mensagens de estímulo para, depois, oferecê-los graciosamente pela internet. Sou um absoluto descrente na bondade humana, … Continue lendo A corrida da cheetah

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Livro: “Em que coincidentemente se reincide”, de Leila de Souza Teixeira

Nos últimos anos, com base nas leituras que fiz (e foram várias), percebi que a literatura oscila entre dois pólos: um deles é aquele defendido por Borges, que afirma desejar a obra absoluta, um livro sobre tudo, o "Liber Mundi". Nele estaria sintetizado o universo, todas as histórias já escritas e ainda por escrever. Seria … Continue lendo Livro: “Em que coincidentemente se reincide”, de Leila de Souza Teixeira

Uma barata no quarto e as leituras no presídio: possibilidades incômodas

Em certa noite do passado, ao entrar no meu quarto, vi uma barata no meio da parede. Era tarde e eu estava cansado. Como era de se esperar, saquei o chinelo, aproximei-me da barata... e não consegui matá-la. Inocente no meio da brancura da parede, ela mexia as antenas com lerdeza e me olhava com … Continue lendo Uma barata no quarto e as leituras no presídio: possibilidades incômodas

Original, cópia, homenagem: um passeio pelo “Jardim das Delícias” de Hieronymus Bosch e o mesmo jardim de Vik Muniz

Nos últimos tempos, estou extremamente indignado com várias situações e lugares comuns. Fico resmungando a minha raiva pelos cantos. Contudo, hoje ocorre-me que eu não esteja indignado, talvez eu seja um inconformado. A Angela Dal Pos, que tem o delicioso blog "Morena de Pintas" (http://www.angeladalpos.com/), diz que eu sou rabugento. Por ser uma pessoa observadora … Continue lendo Original, cópia, homenagem: um passeio pelo “Jardim das Delícias” de Hieronymus Bosch e o mesmo jardim de Vik Muniz

Livro: “A árvore que falava aramaico”, de José Francisco Botelho

O maior elogio que um escritor pode conceder para outro é admitir que gostaria de escrever um livro igual. Contudo, esta é a mais absoluta das impossibilidades. Não existem dois livros idênticos: mesmo se o escritor copiasse o livro do outro, ele teria a sua visão de mundo, já nos ensinou Borges no "Pierre Menard, … Continue lendo Livro: “A árvore que falava aramaico”, de José Francisco Botelho

Um artigo no Amálgama

Pela primeira vez na minha curta história com o Amálgama (www.amalgama.blog.br), dei uma pausa nas resenhas e fiz um breve artigo sobre literatura. No texto, trato da recente decisão de Philip Roth de não mais escrever livros. Falo também do que acontece quando a voz narrativa de cada escritor silencia e o direito que cada … Continue lendo Um artigo no Amálgama

Um retorno a Mallarmé

Recentemente, ao entrar em uma livraria, sofri um choque súbito, devastador. Vendo a miríade de livros dispostos pelas prateleiras, vendo as pessoas que caminhavam desordenadas como bolas de uma máquina de pinball, vendo os livros escolhidos para um lugar de destaque nas ilhas de exibição (ilhas sempre me passam a sensação de alguém isolado pedindo … Continue lendo Um retorno a Mallarmé

O debate necessário, a revista VEJA e as falácias argumentativas

Uma das coisas que mais sinto falta no mundo atual é um bom DEBATE. Tenho muitas dúvidas, sobre muitos assuntos. Por mais que veja pontos contrários ou positivos, sou incapaz de fechar várias questões. Precisava que novas ideias arejassem as minhas, imprimindo um sopro de novidade. Quando falo em debate, não penso na discussão longa … Continue lendo O debate necessário, a revista VEJA e as falácias argumentativas

Uma possível epígrafe para “O homem despedaçado”

O caos está instalado entre as minhas leituras. Os livros tomaram posição e se acumularam, indecentes na sua recordação sombria das histórias ainda não lidas. Sinto-me constrangido de chegar em casa e ver as pilhas se avolumando, ansiosas para serem diminuídas. Leituras obrigatórias disputam espaço com leituras por prazer, e o único que pode resolver … Continue lendo Uma possível epígrafe para “O homem despedaçado”