Filme: “Os Mercenários 2”

Sou suspeito para falar dos roteiros do Stallone. Quem me conhece sabe que sou fã das histórias que ele cria e transporta para a tela do cinema; existe uma grande arte escondida por trás de cada palavra. Os clichês são tão bem feitos que quase soam como clichês verdadeiros. É impossível saber se o roteirista brinca com o preconceito dos espectadores dos seus filmes, que esperam um filme raso feito por um homem repleto de músculos e desprovido de cérebro (como se a presença de uma coisa representasse a ausência automática da outra).

Quando vejo um filme roteirizado pelo Stallone, sinto laivos shakesperianos nas suas histórias. Sei que muitas pessoas torcerão o nariz diante desta afirmativa, considerando-a exagerada, mas, se analisarem a história e não o ator que a protagoniza, verão as grandes questões humanas aflorando: o homem que enfrenta os limites do corpo em uma batalha interminável contra o outro e contra si próprio (a série “Rocky”), a batalha contra a idade e a noção de que o importante não é a vitória final, e sim o percurso de toda a luta (o último filme, “Rocky Balboa”), a selvageria secreta e os instintos que moram no mais fundo de cada pessoa (o primeiro “Rambo”), a morte e a vida em constante batalha, em um movimento de onda que oscila entre apogeu e declínio (os outros “Rambos”). Isto que desconsidero as questões geopolíticas que se espalham por toda a sua obra cinematográfica; Stallone não toma posição entre o certo e o errado. No meio de um cenário político ou econômico conturbado, ele mostra que o importante mesmo é o homem individualmente considerado e os seus dilemas, que se espelham em toda a sociedade. Sim, considero que Stallone não é só um rosto feio carregando músculos e armas. Ele também possui uma profundidade que, se for analisada a sério, perturbaria profundamente o espectador. Talvez por isto seja mais fácil descartar como entretenimento bobo os seus filmes.

Quando soube que ele tinha feito “Os Mercenários 2”, continuando a história do grupo de homens que fazem missões arriscadas, sabia que precisava assistir ao filme. E ele não me decepcionou.

O filme reúne alguns dos maiores atores do cinema de ação hollywoodiano. Além de Silvester Stallone, estão Jason Statham, Dolph Lundgren, Jet Li, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Jean Claude Van Damme e o incrível Chuck Norris. Se eu tivesse que resumir de forma grosseira o enredo, diria que é um grupo de homens furiosos que, explodindo umam quantidade impressionante e indecente de cabeças e corpos, realiza uma missão de honra, uma cruzada em busca de vingança.

Qualquer pessoa normal olharia o filme como um rosário infindável de clichês e de piadinhas prontas, feitas por um bando de brucutus. É uma visão possível, mas superficial, indigna do esforço narrativo exposto no filme. Stallone tece uma hábil e intrincada rede de intertextualidade. Cada diálogo é uma caixa repleta de armadilhas e de referências. Não raro, as piadas de Stallone suplantam os limites da ficção. Por exemplo, em uma cena do filme,  ele se encontra com Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger. Para quem não sabe, os três foram sócios de uma franquia de casas noturnas que fez muito sucesso em meados dos anos 80/90, a “Planeta Hollywood”. No meio do diálogo, Bruce Willis pergunta a Schwarzenegger, apontando Stallone: “ele sempre foi tão egoísta assim?”. O espectador sente que mais do que foi dito está nesta cena, existe uma gama de significados ocultos por trás do descuido aparente da fala. Puro Bakthin: a frase está repleta de ideologia.

Na sua primeira aparição, Schwarzenegger grita com satisfação: “I´M BACK!!”. Quem possui mais experiência, sabe que Schwarzenegger ficou alguns anos afastado do cinema, eleito governador da California, e este é o primeiro filme em que ele aparece após o término do mandato. Ao mesmo tempo, a frase também responde a uma outra sequência famosa do cinema, presente no filme “O Exterminador do Futuro 2”, quando ele promete, de forma soturna, “I’ll be back.” Em outra cena, Schwarzenegger afirma, feliz, enquanto está matando gente: “eu voltei!” Ao lado dele, Bruce Willis responde “Você está voltando toda hora, desta vez sou eu quem digo: eu vou voltar!”. Poderia ser considerado como uma resposta à frase antiga do Schwarzenegger, mas é mais do que isto: o sexto filme da franquia “Duro de Matar” está em vias de ser lançado nos Estados Unidos. Quando ele afirma isto, está respondendo para Schwarzenegger, brincando com o passado dele, e, ao mesmo tempo, anunciando que quem realmente está de volta será o seu personagem, John McLane.

É necessário muita genialidade para escrever diálogos repletos de intertextualidade. Muitas frases possuem significados duplos e até triplos: além de serem falas do personagem, são falas de personagens de outros filmes e, ao mesmo tempo, frases interligadas com a vida real do ator que as disse. No final do filme, Jason Statham – que passou por uma luta com 10 soldados, matou todos e saiu sem um arranhão sequer, naquela que foi a melhor e mais linda luta do filme, ainda que esteja empatada, ao meu ver, com a luta feita por Jet Li, armado de duas frigideiras, contra uma penca de soldados armados até os dentes – olha para Silvester Stallone, que enfrentou sozinho Van Damme e levou uma surra. Passa a mão no próprio queixo e, apontando para o rosto semi destruído de Stallone, diz que ele não sabe lutar, pois se machuca demais. É a nova geração de atores de filme de ação prestando homenagem e rindo da antiga geração. Ao mesmo tempo, é uma lembrança do ocorrido nos filmes da série “Rocky”, quando Stallone apanhava até cansar; Statham questiona se ele não apanha por que, na realidade, nunca soube lutar, e é uma declaração altamente desconstrutiva do sentido de toda a série “Rocky”, dando uma nova possibilidade de análise para a história. Simultaneamente, Statham debocha de uma crítica comum aos filmes que protagoniza: o fato de que, por ser um ator “bonito”, ele não pode sofrer ferimentos no próprio rosto, pois isto prejudicaria o mercado de mulheres que iriam ao cinema para vê-lo. Com esta frase, Statham responde aos críticos que ele não apanha no rosto por que sabe lutar – simples assim. É uma sequência rápida, que diz muitas coisas além daquelas que estão escritas.

Escolhi alguns exemplos de intertextualidade, para dizer que Stallone usou o roteiro com vários significados ocultos, como se fosse uma cebola que vai se abrindo e abrindo e revelando novos detalhes. No entanto, a mais brilhante coisa que já vi nos últimos tempos – e que me deixou comovido – foi a intertextualidade de uma intertextualidade, a retomada e ressignificação de um sentido original que tinha sido surrupiado. E tudo isto em um GESTO. Quando as pessoas assistiram o primeiro filme da série “Matrix”, acharam altamente incrível a cena em que Neo e Morpheus estão treinando uma luta de kung fu e, após cair, Neo olha desafiadoramente para Morpheus, vira a mão para cima e, sem dizer nada, o chama para continuar a luta. Pois bem, esta cena foi originalmente colocada em uma luta de “O Grande Dragão Branco” e foi feita, em um gesto de desafio e confiança, por Jean Claude Van Damme – “Matrix” se apossou do gesto, em uma homenagem um tanto arrogante, que inclusive reprisou, se não me engano, nos outros filmes da trilogia como uma referência ao gesto contido no primeiro filme. Em “Os Mercenários 2”, na luta final, Van Damme vira para Stallone e faz o mesmo gesto. Ele retoma posse de algo que lhe foi tirado, um gesto simples, mas tudo mudou. Não é mais desafio ou confiança; na cena, o gesto aparenta ser mais um fingimento do que realidade, como se ele estivesse cansado. Van Damme, que fez o gesto original e o “emprestou” para Keanu Reeves, retoma aquilo que sempre lhe pertenceu, a originalidade do gesto, fazendo a intertextualidade de uma outra intertextualidade.

E isto que eu nem falei do Chuck Norris, que aparece no filme quase como um espírito, uma criatura formada de intertextualidade por causa dos famosos “Chuck Norris facts”. Ele já quase não é mais um homem; virou um ser formado por centenas de versões e histórias, que aderem no seu corpo e o transformaram em um mito vivo, algo que não sabemos mais se é real ou se é fruto da imaginação que o cerca. Stallone homenageia não o ator Chuck Norris, mas sim o invisível, o ser formado por histórias e lendas. E Norris brinca consigo próprio: ele mesmo enuncia um “Chuck Norris Fact” – e ri sem parar quando percebe que os outros acreditaram. Vale a pena destacar que Chuck Norris é o maior de todos os deus ex-machina que já existiram: a sua aparição mágica, quase etérea, é decisiva e letal. Fizeram uma contagem das mortes protagonizadas no filme, e não foi espantoso que Chuck Norris tenha o maior número. Ele disse que era por causa da sua idade que lhe deram esta deferência, mas acredito que Stallone o premiou com o maior número de corpos por que criou um outro “Chuck Norris fact” na aparência de vida contida no limite de um filme. E isto é igualmente brilhante, são os “Chuck Norris facts” voltando para ficção e vicejando no seu interior, incontroláveis como ervas daninhas.

(ALIÁS: vai parecer um “Chuck Norris Fact”, mas, no momento exato em que ele aparece no filme, acabou a luz no cinema e a projeção só foi retomada dez minutos depois. Depois eu soube que acabou a luz em toda Porto Alegre. O poder do Chuck Norris é maior do que imaginamos).

Segue a cena em que o Chuck Norris aparece e detona com a luz de Porto Alegre:

Em uma época na qual os filmes se esforçam para serem neutros e o mais politicamente corretos possíveis, é um alívio ver o cinema ser assumido como imitação de vida, como fantasia. Só assim para escapar da farsa e da tragédia que é a existênca. Os atores brincam constantemente com os preconceitos sociais e raciais. Dolph Lundgren brinca com a raça de Jet Li, perguntando de quem ele irá fazer piadas racistas depois que a missão acabar. Jet Li retruca que ele logo encontrará outra minoria para atazanar. Acaba se tornando verdade e, além de ser outra chinesa, ainda é uma mulher. Um grupo de homens raivosos e uma mulher é uma combinação explosiva para piadas sexistas. No entanto, Stallone faz uma espécie de corte cavalheiresca em relação a ela, em algo que podemos chamar de amor cortesão, e logo a mulher ganha destaque por suas próprias qualidades, sendo aceita como parte indissolúvel do grupo.

Foi igualmente um grande alívio ver um filme com testosterona. No meio deste manancial insuportável (e clichê) de filmes feitos por homens de sexualidade incerta, para atrair plateias de ambos os sexos, soa reconfortante ver a testosterona levada às últimas consequências. Não há nada de errado em ser um homem, em falar assuntos de homem, em estabelecer relações de honra e compromisso com outros homens. Hoje se deseja ver homossexualidade em qualquer tipo de atitude masculina, e esta é uma visão muito limitada e pobre da própria sexualidade humana.

“Os Mercenários 2” demonstram que a intertextualidade pode ser estendida até limites inimagináveis sem perder a sua característica de inovação e, ao mesmo tempo, serve como um alerta de que não é tão feio assim como dizem ser homem, gostar de ver mortes e explosões e rir de uma série infindável de piadas grosseiras. Pode inclusive ser bem saudável, pois é melhor que os homens descarreguem testosterona vendo um filme de homens feito para homens e com muita inteligência disfarçada, do que sair por aí extravsando a fúria inerente à masculinidade em pessoas inocentes.

Não vai ganhar Oscar, pois a Academia também gosta de clichês e odeia questionar o que está por trás de um filme complexo demais, mas “Os Mercenários 2” é uma obra cinematográfica de grande qualidade, além de ser extraordinariamente divertida.

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4 Comentários

Arquivado em Intertextualidade, Os Mercenários 2, Silvester Stallone, Temas de crítica literária

4 Respostas para “Filme: “Os Mercenários 2”

  1. Mauro

    Puxa!!
    Impressionante a sua cultura sobre os filmes do Rambo e cia. A sua “intertextualidade” é impressionante, mas só é entendida para quem viu todos os demais filmes citados (confesso não ter estômago para tal) e, sinceramente, náo me dizem nada e duvido que tenha algo mais do que clichês de filmes onde o imperialismo americano e o clichê do “herói americano que vai limpar toda a porcaria que o exército fez” mostram. Ou seja, intertextualidade que cita outros filmes dos atores não significa nada mais do que uma propaganda subliminar destes mesmos filmes!!
    A cena a que você refere como sendo (a mais emocionante quanto à intertextualidade) originária do “Grande Dragão Branco” na verdade é originária de um filme do Bruce Lee (Operação Dragão), ou seja, o intertextualidade funciona de acordo com o conhecimento cinematográfico de cada um….
    Ou seja: valeu a tentativa de ser diferente, mas sugiro que pegue filmes que tenham a ver com temas realmente importantes. Acho que guerra ou conflitos dos guerreiros já deu o que tinha que dar… Ou então analise “Matrix” (um filme citado) e diga o que viu de intertextualidade. Ali estão todos os grandes temas da história da humanidade,condensados.
    Vou aguardar com ansiedade!!!
    abraço
    Mauro

    • Gustavo

      Oi, Mauro:
      Realmente, é preciso estômago para ver este tipo de filme. Não é uma experiência fácil, ainda que eu pense que eles levam para outro extremo: de tanto mostrar violência, explosões e sangue correndo, eles acabam escancarando o ridículo da situação, pois cada vida tirada deveria ser uma vida inestimável, não poderia haver tanta irresponsabilidade assim. Neste aspecto, recordo de uma cena que me marcou, em “Austin Powers” (não gostei muito dos filmes, mas esta cena ficou impressa na memória): em um determinado momento, um dos figurantes morre de uma maneira vergonhosa, acho que por causa de um tubarão. Em uma série de pequenas cenas, aparecem amigos dele fazendo brindes em bar e sendo comunicados do seu falecimento repentino, a mulher e a família que ele deixou para trás, este tipo de situação cotidiana que foi roubada para sempre do figurante. Mostra muito bem que cada figurante morto é uma vida preciosa que se perdeu, algo que às vezes esquecemos de contextualizar.
      Sim, eu vi estes filmes e sempre olhei um pouco adiante do óbvio. Pois dizer o óbvio seria afirmar que é uma bobageira sem tamanho. No entanto, penso que, se manter a mente aberta, novas interpretações sempre surgem. Os “Rocky” são demonstrações de superação humana – quantos socos afinal são necessários para que um homem não mais se levante? Fiz uma postagem aqui no blog em uma inspiração clara do Rocky Balboa, leia e diga o que acha. Os “Rambo” são declarações explícitas de americanismo, mas o primeiro filme é um homem acuado pela sociedade e que usa a natureza para se defender, uma coisa muito Henry David Thoreau, muito Defoe, muito “o bom selvagem” do Rosseau. Vale a pena expandir a mente e ver as alusões clássicas de literatura nos filmes.
      Pode ser que a intertextualidade presente em “Os Mercenários 2” seja uma forma de espalhar de forma subliminar a mentalidade americana dos outros filmes. Esta é a magia da intertextualidade: quase tudo pode ser, existem opiniões e pontos de vista, não questões fechadas. No entanto, se isto for verdade, eu destaco uma cena do filme que foi exemplar. Uma personagem afirma “vocês, americanos, chegam em um lugar e fazem as merdas de sempre!”. Neste momento, um mercenário diz “opa, eu sou sueco!”, a mulher fala “e eu sou chinesa!””, o outro diz “não me xingue, sou inglês” e um último fala “e eu sou africano!”. A mentalidade belicista é algo mundial, não é um privilégio exclusivo dos Estados Unidos. E esta cena revela bem a multiculturalidade do mundo moderno, mas ressalvando que todos nós, infelizmente, encontramos como fator transnacional de união a vontade de matar o próximo. Infelizmente mesmo.
      Tens razão. Depois que fiz a postagem me lembrei de mais uns cinco ou seis filmes em que aparece o mesmo gesto (inclusive no próprio “Rocky”), nos mais variados sentidos. Mas, com certeza, o “Operação Dragão” é o mais inesquecível de todos e provavelmente o Van Damme pegou o gesto como um eco do Bruce Lee. Como ele é um lutador e o Keanu Reeves não, poderíamos pensar que o Van Damme “pegou de volta” para o terreno da luta algo que a ficção cinematográfica tinha se apoderado de forma indevida? Vamos refletir e conversar, por que o assunto é bom.
      A intertextualidade está sempre no olho de quem vê e, sim, na sua cultura cinematográfica. Confesso que a minha não é tão vasta. Ainda assim, existiu algo no enquadramento da câmera e na forma com que o autor se posicionou que ecoou “Matrix” de forma muito clara. Se olhares os dois filmes, vais ver que as cenas são muito parecidas e, sim, existe muita intertextualidade no “olhar da câmera”, como as frequentes homenagens que Hitchcock e Woody Allen fazem às suas referências.
      Meu comentário não foi uma “tentativa de ser diferente”, nem tenho esta pretensão. Foi só a minha visão do filme, uma tentativa de cavoucar nas suas referências e ver o ouro que poderia se esconder embaixo. Pode ser que tenha falhado sob a tua ótica (existem “falhas” em opiniões alheias? Outra boa questão), mas toda análise vale a pena, ainda mais se for contrabalançada por argumentos.
      Não acredito que nenhum tema da ficção “já deu o que tinha que dar”. Todos são válidos e todos valem uma discussão. Se eu acreditasse que um tema esgotou, não acreditaria mais em filmes românticos ou histórias de superação, pois todos os ângulos também foram abordados nestes assuntos.
      Sim, “Matrix” é uma colcha de retalhos intertextuais. E vai muito além disto: também apresenta teorias cabalísticas, rediscussões de constantes da física, abordagem de temas sociológicos e, o meu tema preferido, uma rediscussão do conceito de herói de acordo com as tragédias gregas que vale muito a pena tratar. Também tem um lado fascinante de zoroastrismo, daquele maniqueísmo bem X mal, que é extremamente relevante. Sem contar que tudo que envolve a distorção do conceito de realidade me encanta horrores. (putz, quase tratei do filme inteiro neste comentário)
      Um abraço, Mauro, obrigado pela leitura e pelo comentário, gostei bastante

  2. Se você, diz eu acredito 🙂
    E então verei.
    O Hique já se animou.
    Beijoss

  3. Kelli Pedroso

    Eu ainda não assisti Os Mercenários. Estão sempre locados. Terei que contar com a sorte (?) ou com a reserva.

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