Analisando estatísticas – parte 5 (final)

É, amigos leitores, aconteceu aquilo que eu imaginava impossível no início do ano: fechei 5.000 acessos. Levei três semanas para completar mais 1.000 acessos, ou seja, menos uma semana do que aconteceu na penúltima oportunidade. Eu sei que existem centenas de blogs que têm 5.000 acessos por dia, talvez por hora, mas, para um blog de literatura com um único divulgador (eu) e sem nenhuma espécie de apoio da mídia (cruzes, nem pensar, tiraria toda a minha liberdade), é um grande milagre atingir esta marca.

Como prometi na penúltima análise de estatísticas, esta é a derradeira postagem que irei realizar com respeito a este assunto. Nem tanto por achar que o tema não mereça comemoração (cada mínimo acesso é motivo para celebrar), mas por que sinto que as engrenagens se movem independentemente da minha vontade e os acessos se tornam cada vez mais frequentes. Ou seja: daqui a pouco, um ou dois anos talvez, os acessos estarão tão velozes que eu quase só teria tempo para tratar de estatísticas. Como homenagem aos leitores, irei instituir – se Deus, a informática e a coordenação motora permitirem – o marcador numérico de acessos no blog. Ali cada um de vocês, seus bravos, estará representado.

Agora que atingi 5.000 interessados, estou mirando o 1 milhão de acessos. Calma, é brincadeira, não miro tão alto. Vou continuar realizando o mesmo que sempre fiz: fomentando o blog com assuntos e materiais que não fazem parte do meu ofício literário, material que escapa de qualquer classificação fácil. Continuarei colocando resenhas dos livros que leio. Continuarei comentando os filmes que assisto ou os espetáculos aos quais compareço. O blog é um grande exercício mnemônico; sinto-me como Funes, encravando a minha memória em um mundo virtual, esperando o momento em que terei que começar a regatear informações comigo mesmo.

Tem acontecido alguns movimentos extremamente engraçados com este blog: no início, as pessoas chegavam a ele pelos mais diferentes motivos, em geral perguntas randômicas. Nos últimos tempos, contudo, percebi o crescimento tímido de uma modalidade de busca: blog o homem despedacado. Sim, algumas pessoas têm procurado o blog por curiosidade própria. Como muitas pessoas estão vindo conversar comigo nos últimos dias dizendo que somente agora conseguiram completar a leitura do meu livro (um ano depois do seu surgimento), penso que a curiosidade também se refere às múltiplas chaves de interpretação dos contos.

E, em homenagem a vocês, meus caros leitores, vou adiantar, em primeiríssima mão, o assunto do meu próximo livro de contos (pois os meus livros primeiro começam pela ideia, pela espinha dorsal, e só depois vão para as histórias). O título provisório é O sentido e, como ele afirma, eu tratarei de muitos e muito sentidos, em especial das coisas que não tem sentido algum, como esta tal de literatura. Já estou com quinze ou dezesseis contos encerrados, e iniciarei a revisão. Ano que vem, justo quando vocês pensavam que tinham entendido, verão que ainda nem começaram a chegar perto da realidade.

Vou deixar de lenga-lenga, lero-lero, biro-biro e outras palavras duplas e partir direto para o que interessa – as estatísticas.

* É assim que as coisas acontecem, devagar, em silêncio, quase sem querer. Dessa forma, em 04 de setembro de 2012, sem nenhum alarde ou escândalo, sem postagens novas, sem explicação lógica alguma, o blog bateu o recorde de acessos por um dia, chegando a incríveis 89 acessos. Não me perguntem, sei tanto quanto vocês. Aconteceu.

* Anaxímenes e Anaxágoras, muito obrigado. Graças a vocês, 1.284 acessos aportaram a este blog desde a sua criação.

* Da mesma forma, Van Gogh e Montaigne mantém uma saudável regularidade no interesse dos leitores. Muitas pessoas são curiosas com os girassóis de Van Gogh. As variações de busca em temas que envolvem “girassóis de Van Gogh” mereceriam um estudo aprofundado: vão desde “inspiração para o quadro girassóis de Van Gogh” (suspeito que a inspiração teria sido os próprios girassóis) até “propriedades homeopáticas dos girassóis de Van Gogh”. Todo dia, 04 ou 05 interessados entram no blog procurando detalhes desta pintura ou das inscrições contidas na bioblioteca de Montaigne. Isto depõe muito a favor da Humanidade, mas suspeito que 4 ou 5 milhões de pessoas entram na internt diariamente procurando Luan Santana ou Gusttavo Lima. Prefiro meus 04 ou 05 leitores ocasionais. Aliás, convidem-me para um chá e eu irei.

* Entre os livros, a resenha mais lida continua sendo aquela que fiz sobre o primeiro volume de “As crônicas de gelo e fogo”, chamado de “Um jogo de tronos”. Até hoje, 529 acessos ingressaram no blog com esta curiosidade, e continua chamando atenção o fato das pessoas atrelarem a palavra “crítica” ao nome do livro – está faltando um pouco de crítica séria sobre estes blockbusters americanos e o incensamento da mídia em torno de material de segunda qualidade literária, o que demonstra – novamente – esperança na raça humana. Espero que os leitores estejam entendendo que fui irônico nas considerações tecidas sobre este livro. Muita gente também procura o Marcel Schwob e o Antonio Di Benedetto. Humanidade, eu ainda acredito em você. Vou ali abraçar o globo terrestre (por favor, parem de ver relações intertextuais em tudo o que faço).

* Muitas pessoas leram a resenha que fiz de “Desvãos”, da Susana Vernieri. 55 acessos é um número nada desprezível.

* Os meus comentários desairosos sobre o show do Maroon 5 também foram muito visualizados (mais de 120 acessos). Não creio que tenha sido uma unanimidade entre os fãs da banda. As pesquisas realizadas sobre o assunto são engraçadas: “o maroon 5 tem vocalista?” é uma das perguntas mais hilárias que já vi. Se não é um vocalista cantando, meu Deus, o que será aquilo?

* E assim dei a deixa para que eu mesmo apresentasse o último tópico desta análise de estatísticas, as famigeradas buscas que aportaram no blog trazidas pelo oceano de dados, bytes e assemelhados que percorre a internet. Não sei se foi coincidência , mas as melhores buscas ocorreram nestas últimas três semanas. O pessoal se puxou na criatividade, foi difícil escolher as mais relevantes. Vamos a elas: “o que posso botar em uma colina sobre uma biblioteca” (um quadro do Dalí combina perfeitamente com esta descrição de paisagem), “descobriu o mundo escrevendo assim” (assim como? Puxa, não termina a ideia no),  “música do tema cada uma de nós somos um tijolinho” (deve ser uma música feita por um pedreiro, pois está parecendo uma cantada), “explicação 13:12” (faltou a explicação e fiquei com um pouco de medo, esta sequência de números corresponde a um versículo da Bíblia, mas qual? Vou procurar todos), “ver mortos despedassados” (acabo de ver o vernáculo ser despedaÇado, o que é muito mais terrível. Aliás, impressionante a quantidade de pessoas que quer ver cachorros despedaçados, cavalos despedaçados, mulheres despedaçadas, homens despedaçados, what’s wrong with you all, people?), “homem morto por uma enfermeira teve corpo todo despedaçado” (selecionei esta em específico por que parece o roteiro de um filme de horror thrash), “apelido para pessoas que gostam de caminhar” (hum… caminhantes? Andarilhos? Vagantes?), “demônio rindo da cabra” (a clássica busca diabólica do mês, ainda que não consiga entender o motivo pelo qual alguém se preocupa com o ataque de histrionismo do demônio olhando uma cabra), “dilema do aposentado” (não tenho nem ideia), “sonhos hexágono cama com pessoa no meio” (sei lá, isto me pareceu estranhamente erótico ou a antecipação de uma missa negra), “porque alguns cachorros dão risadas?” (ha! nem sabia que eles riam! Mas a relevância da dúvida merece especial destaque, o cara acorda, vê o cachorro rindo e pensa “vou perguntar para o Google do que o cachorro está rindo!”), “a morte de chtulhu” (ha de novo! Esta eu quero ver MESMO, leia Lovecraft e entenderá que esta é uma impossibilidade completa) e, a melhor de todas, “os homens sao atormentados pelas opinioes que tem sobre as coisas e nao pelas proprias coisas” (uma lição de filosofia, um acesso de seriedade em um mundo não-sério).

E, assim, acabam as minhas análises estatísticas. Deve ter gente agradecendo aos céus por esta graça alcançada, pois as minhas heresias e pseudo-conclusões deviam dar calafrios em muitos matemáticos. Ah, nem foi tão doloroso quanto poderia ter sido, pois eu sequer acredito na validade da estatística como ciência e em nenhum momento falei mal dela (acho que acabo de fazer isto). Quando eu chegar aos 10.000 acessos, talvez eu faça algum novo comentário ou uma celebração. Acompanhem pelo marcador de acessos – o qual, surpresa surpresa, estou há dois dias tentando instalar e NÃO CONSIGO.

Um abraço a todos, e obrigado pela leitura.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Blog, Estatísticas, Generalidades, Impressões, O Homem Despedaçado, Produção Literária

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s