Boat drinks

Em cena do filme “Coisas para fazer em Denver quando você está morto”, o personagem de Andy Garcia (Jimmy “The Saint” Tosnia) cumprimenta os seus amigos com a expressão: “boat drinks”. No decorrer do filme, ele explica: quando deseja “boat drinks” , tem a expectativa de que, no futuro, possa sentar com os amigos em um iate, encher os seus copos com drinques, sentar e conversar sobre como eles se sentiram angustiados no passado – e como todo aquele medo e instabilidade tinham sumido. O Paraíso seria tomar drinques em um iate, longe das preocupações mundanas.

“Boat drinks” é um desejo – e uma esperança – de que coisas melhores acontecerão. É a promessa de que, um dia, riremos de todas as aflições.

Às vezes, quando os problemas parecem insolúveis, quando o nível de preocupação chega a patamares tenebrosos, eu me refugio nesta expressão. Boat drinks. Um dia, rirei disto tudo. Um dia, olharei o passado e pensarei “nossa, eu estava tão nervoso naquele dia, e tudo acabou se resolvendo”. Pois, assim como ocorre na ficção, os problemas acabam encontrando maneiras estranhas de serem resolvidos. Se a resolução ainda não aconteceu, é por que o problema ainda não chegou ao fim. E é interessante, mas as soluções mais simples e práticas são aquelas que acabam ocorrendo, por mais improváveis que pareçam.

“Boat drinks” é um mantra, um lembrete de que tudo terá fim – inclusive a própria pessoa. O que nos parece ser um problema insolúvel não é nada na vida de uma abelha ou na de uma formiga. De certa maneira, “boat drinks” é um pensamento estoico; quando colocamos os problemas dentro da esfera da sua real importância e pensamos nos problemas ao redor do mundo, percebemos que os nossos não são tão sérios quanto pareciam à primeira vista.

Por este motivo, mesmo parcialmente abstêmio (beber em ocasiões festivas e uma que outra taça de vinho ou espumante), eu sonho com o dia em que, dentro de um barco, reunido com meus amigos, ergueremos brindes ao sol e nos desejaremos “boat drinks!”. Nos olhos deles, verei que os problemas desapareceram, verei que as trevas e as indecisões e os medos ficaram para trás.

“Boat drinks” é uma utopia – por isto é tão bom sonhar com este dia.

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6 Comentários

Arquivado em Andy Garcia, Boat drinks, Cinema, Coisas para fazer em Denver quando você está morto, Estoicismo, Filosofia

6 Respostas para “Boat drinks

  1. Kelli Pedroso

    Eu já assisti este filme, mas confesso que não lembrava do mantra. Depois que li teu texto, senti vontade de vê-lo novamente. Tudo que eu preciso, no momento, é que me digam: “boat drinks”. Estou passando por um período difícil, porém espero que seja uma fase.

    • Kelli, boat drinks! Tudo vai passar e, um dia, estaremos tomando drinques em um barco, lembrando deste momento tenso e rindo de como estivemos nervosos. Toda nuvem negra passa, a tendência é o céu estar sempre claro, nuvens vêm e vão. Também ando em um momento assim, e esta expressão sempre me consola; existe algo poderoso em pensar que tudo passa e que o nervosismo de hoje pode virar risadas no futuro. Um abraço e desejo que, diante dos problemas, tu continues pensando “boat drinks!”

  2. Kelli Pedroso

    Obrigada, Gustavo! A partir de agora, “Boat drinks” is always on my mind. Eu também te desejo “boat drinks”. Que as coisas levianas, assim como os problemas se dissipem logo, para que possamos brindar as coisas boas da vida.

    • Assim que precisamos pensar, Kelli. Boat drinks! Tudo passa, e um dia riremos das preocupações de hoje. É um bom mantra para se ter na cabeça naqueles dias especialmente ruins. Vai por mim, funciona que é uma beleza. 🙂

  3. Helena Terra

    Tim tim! Um boat drink pra você e outro pra mim 🙂
    Adorei o texto.
    Um Gustavo da melhor qualidade.
    beijoss

    • Muito obrigado pela tua leitura, Helena! Precisamos muito pensar que, um dia, iremos tomar um “boat drink” e dar risada daquilo que aconteceu no passado. Tenho certeza de que isto acontecerá. O Tempo é mais sábio do que imaginamos: lembra do que eu te comentei? No final das contas, o Tempo é um belo unguento para as feridas. Um beijo. 🙂

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