Fragmentos de Eternidade – uma explicação necessária

 

É interessante que uma determinada pessoa – cujo nome não citarei – tenha me dito que achava um pouco pretensioso o meu desejo de ditar a Eternidade para outras pessoas. Claro que foi uma brincadeira e rimos muito desta frase, mas toda brincadeira tem um pouco de verdade. Como escrevi aquele que pretendo que tenha sido o último fragmento, uma breve explicação se faz necessária.

A expressão “fragmentos de eternidade” não é minha. Na realidade, ela foi escrita pelo grande William Blake, nos “Provérbios do Inferno” (cuja leitura recomendo). A frase completa é: “O rugir de leões, o uivar dos lobos, o furor do mar tempestuoso e da espada destruidora são fragmentos de eternidade grandes demais para os olhos humanos”.

William Blake

Eu acredito que a Eternidade está por aí, espalhada nas mínimas coisas para quem quiser ver. Às vezes eu contemplo a minha própria mão e encanto-me com a junção de músculos que dançam para mexer um dedo, assim como a injeção generosa de sangue necessária para coordenar tal atividade mínima, determinada pela cabeça, conduzida pelo coração. A Eternidade está por aí, mas as pessoas tem medo de contemplá-la. Talvez, se perdessem tempo olhando o inefável, tudo fosse mais fácil. Ou mais difícil. Não é uma experiência fácil estar diante do infinito e da magia.

Mostrei pequenos elementos que abrem portas da Eternidade dentro da minha memória. Se acaso existisse um filme capaz de condensar a porta da Galeria Chaves, o primeiro movimento do Concerto n. 1 para Piano do Tchaikovsky, os últimos segundos de uma música do Deep Purple, as patas de um cavalo se deslocando e os olhos das esculturas de Aleijadinho eu chegaria muito próximo da minha noção de Infinito. No entanto, ela ainda é um constructo, ainda está em desenvolvimento. Talvez sejam necessários mais fragmentos – ou não. O Eterno pode ser tocado quando menos se espera.

Todo mundo tem fragmentos de Eternidade no seu interior. Estes são os meus. São quase grandes demais para se encarar, mas estão por aí, vagando por um mundo que os despreza.

Quem quiser compartilhar os seus, será bem-vindo. Talvez, fazendo um mosaico das magias que circulam impunentemente pelo mundo, seja mais fácil de entender.

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Arquivado em Crônicas, Impressões, Literatura, Produção Literária, William Blake

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