Arquivo do mês: junho 2012

DVD: “Iron Maiden – En Vivo”

Até que demorou bastante para que abordasse o tema “Iron Maiden” no blog. Levei sete meses sem tocar neste assunto que me é tão caro e importante, o grupo musical que mais ouço e mais respeito. Tenho todo o material do Maiden e, em postagens futuras, pretendo trocar algumas impressões sobre os CDs e DVDs. No entanto, começarei pelo último, que comprei no dia em que foi lançado e só consegui assistir na semana passada, enquanto convalescia de misteriosas dores abdominiais (ainda não resolvidas).

“Iron Maiden – En Vivo” é o registro em vídeo da turnê “The Final Frontier Tour”, e foi gravado quase totalmente no Chile (algumas partes foram na Argentina, como o DVD confessa em determinado momento). A formatação do show é clássica, quase enfadonha: primeiro mostra as pessoas chegando, gritando, chorando, beijando camisetas e outros escândalos. Depois, o momento que antecede o show, a expectativa. Em seguida, a banda desfila as músicas e o encerramento do show é o final do DVD. Como também é característico no material lançado pelo Maiden, um DVD extra acompanha o pacote, trazendo vídeos de lançamento e promocionais (os quais nunca assisto, sou fã mas sempre me parece uma forma de encher espaço vazio) e o sempre esperado vídeo mais estendido em que o Maiden aborda algum detalhe da turnê ou os backstages. Este último vídeo eu assisto.

Inicialmente, vou abordar o DVD extra, com o vídeo do backstage. Pela primeira vez, o Maiden resolveu contar a história dos heróis anônimos que dão suporte à turnê. É uma quantidade impressionante de gente. Muita coisa precisa ser pensada, ensaiada, meditada. Tarefas que parecem pequenas se revestem de uma importância desmedida. A logística  é um desafio constante. Um exemplo: o Maiden viaja com uma média de 50 a 60 pessoas. Tem que tirar passaportes e vistos de entrada nos países de todo mundo, e eles precisam ser sincronizados com as datas dos shows, pois, se der problema na documentação de uma pessoa, tranca a passagem de todo o resto.

Nesta turnê em específico, o Maiden dispunha de um avião só seu (o “Eddie Force One”). Para entrar todo o pessoal e mais o equipamento dentro do avião, a organização começou a ensaiar a distribuição do material pelo espaço meses antes. Um avião teve que ser especialmente reformado para o projeto. Assim como o deslocamento é hiperlativo, os problemas surgidos também são. O vídeo entrevista cada chefe de equipe responsável por detalhes do show, como instrumentos musicais, mixagem do som, vídeo, fotos, iluminação, palco,  cenário. Cada um deles revela detalhes da sua tarefa que o público quase não percebe, de tão ocupado em assistir o show. Percebe-se que muitos trabalham no Maiden por carinho aos fãs e dedicação à banda, e é admirável ver um pequeno exército tão azeitado para levar e distribuir música ao mundo. Gostei muito dos problemas de comunicação existentes com as diferentes culturas em que o Maiden se apresentou. Gerou alguns momentos muito engraçados.

Em segundo lugar, o show. Há algum tempo eu tenho implicância com a gravação dos shows, por que o Steve Harris (baixista do Maiden) é o cara que toca, compõe, organiza e, ainda por cima, tem a última palavra nos vídeos do Maiden e na mixagem do som. Parece muita tarefa para um cara só e, em alguns momentos, pelo menos no meu aparelho de DVD, “some” o som de uma guitarra, geralmente a do Adrian Smith. Além disso, como o Steve Harris também é fã do Maiden, ele tem o péssimo hábito de “quebrar” a tela em múltiplas possibilidades e visões, enfocando o que cada artista está fazendo no momento. Ora, eu já fui nos shows, e sei que é humanamente impossível que os olhos estejam em cinco pontos diferentes do palco. Na tela da televisão, é ainda pior, pois enfocar cinco quadros pequenos distribuindo-se dentro de uma tela é garantia de que não vai se assistir nada. Outra situação medonha que tenho visto nos últimos DVDs do Maiden é que os cortes de imagens são muito abruptos e violentos, mal se consegue ver os músicos tocando as notas, de tão rápida a imagem é cortada e passa para outro. Eu brinco que o aviso inicial de que o vídeo do Maiden pode causar esquizofrenia é muito mais real do que se imagina, nem tanto pela possibilidade latente disto acontecer, mas sim por que o Steve Harris leva esta possibilidade ao paroxismo.

Retornando ao show: gosto de dizer que o Maiden funciona melhor ao vivo do que no estúdio. Existem músicas sonolentas no estúdio e que ganham uma roupagem vibrante ao vivo, capazes de se tornar hinos. No caso do “Iron Maiden – En Vivo”, foi surpresa que eles não tocaram “Isle of Avalon”, a música que mais gostei no último álbum e que parecia formatada para soar ao vivo. No entanto, tocaram “The Talisman”, “When the Wild Wind Blows” e “Coming Home”, que soaram muito adequadas e instigantes ao vivo. “El Dorado” me deixou indiferente, mas, em geral, não sei o motivo, as segundas músicas dos shows do Maiden me são insossas (exceção a “Ghost of the Navigator”, mas suspeito que mais por causa da letra do que por méritos da música). A abertura do show, com “Sattellite 15” junto com “The Final Frontier” não estava nada agradável.  Não gostei nada da abertura do show nesta turnê. O Maiden gosta de entrar correndo com uma música de trabalho, após uma introdução de cunho histórico ou até mesmo clássico, mas não daquele jeito esquisito, que o público só nota que eles estão no palco muito depois que tal fato aconteceu. Não funcionou.

Com relação às músicas clássicas, corro o risco de ser crucificado pelos metaleiros, mas “Fear of the Dark” já deu o que tinha que dar, eles estão tocando a música de forma cada vez mais desleixada. Está na hora de colocar outras músicas no lugar e, graças a Deus, o Maiden tem um monte. “Blood Brothers” estava muito boa, em especial pelo discurso inaugural do Bruce Dickinson, que só quem já foi em show de metal entende: somos todos irmãos, todos unidos pela música. No Rock in Rio eu vi extremos abraçados cantando as músicas do Maiden. Eu fiz amigos no meio de um show, dividimos bolachas e fui aceito por pessoas que nunca mais encontrarei, no seio de uma cidade na qual não conhecia ninguém. Isto sim é ser um irmão.

“Dance of Death” foi uma revelação. Nem tanto pela música, que sempre gostei, mas por que o Bruce Dickinson deu um show de interpretação digno de um Oscar. Além de cantar, ele interpretou a música, fazendo caras, bocas e gestos. Muito legal. “The Evil that Men Do” mostrou um dos Eddies mais articulados que eu já vi, ele chegou ao ponto de tocar guitarra. Os músicos se comportaram muito bem, e até o histrionismo do Janick Gers estava mais contido neste show. Alguém deve ter dado um toque para ele. Não entendi o motivo, e deve ser uma brincadeira interna deles, mas grande parte do show os músicos ficaram se cutucando e se puxando o cabelo, em especial perto do rosto. E, podem dizer o que quiserem, mas “The Trooper”, com o Bruce Dickinson no fundo e os quatro músicos na frente da plateia como se fosse uma força de ataque resistindo a um inimigo é sempre arrepiante. O truque é velho, mas funciona às mil maravilhas. Quem disse que não podemos gostar de um clichê barato de vez em quando?

Por fim, o show encerrou de uma forma que considerei emocionante, que foi “Running Free”. Há muito tempo não ouvia esta música ao final de um show, e foi um reencontro muito legal, quase como voltar à adolescência. Uma melodia simples, brincalhona, com todo mundo se divertindo. Gosto muito da cozinha entre baixo e bateria enquanto o Bruce está falando com a plateia. No caso de “Iron Maiden – En Vivo”, “Running Free” teve a apresentação da banda pelo Bruce Dickinson, algo que eu não via há um bocado de tempo. Em outras ocasiões, eles não tocavam esta música, preferiam outras, e não se apresentavam (afinal, todos sabem quem são os integrantes do Maiden). Foi muito apropriado. Destaque negativo para os fãs do Chile, cuja último registro no DVD foi o grito uníssimo “Run to the Hills! Run to the Hills!”. Fãs do Maiden, sempre difíceis de contentar.

Os shows do Maiden geralmente são coreografados e, com o passar dos anos, tornam-se previsíveis, mas nem por isto são menos bons. Eu iria novamente em um show deles, e já estive em três. Mas, mesmo no meio de tanto cálculo e precisão, ainda acontecem surpresas, e a mais engraçada neste show foi uma corda que se despegou de uma luminária e ficou na frente da banda. O Bruce Dickinson tentou pegá-la e arrancá-la, mas cada pedaço que ele cortava, parecia que a corda ficava maior. Ele ria, o público ria, a banda ria e dava para perceber que a equipe técnica estava encucada com o assunto. Duas músicas depois deste momento, Bruce conseguiu pegar a corda de jeito e ela caiu inteira da luminária sobre o palco. A plateia inteira urrou como se estivesse comemorando um gol. Foi engraçadíssimo, um momento de espontaneidade no meio do planejamento.

Apesar das minhas divergências pessoais com muitas coisas dos shows do Maiden, continuo comprando os DVDs e curtindo demais. Portanto, fica evidente que a relação minha com a banda é muito mais visceral do que estas pequenas discordâncias. É por conhecê-los tanto que me permito questioná-los. “Iron Maiden – En Vivo” vale muito a pena perder duas horas assistindo. Ele está inteiro na internet, mas os fãs de verdade compram os DVDs da mesma forma, o que demonstra que o Iron Maiden tem muitos anos de história ainda.

Achei “Running Free” para colocar nesta postagem.Up the Irons.

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Resenha nova no Amálgama

Foi divulgada outra resenha minha no Amálgama (www.amalgama.blog.br). Desta vez, eu abordo o livro “O Jovem Oficial”, do Michel Henry, um escritor francês que, na linha dos escritores filósofos típicos deste país, teceu uma interessante alegoria sobre o mal e como ele é capaz de se espalhar pela sociedade. Vale a pena a leitura da resenha, para ter uma ideia de como o livro, e, depois, a leitura da própria obra, que é interessantíssima.

http://www.amalgama.blog.br/06/2012/o-jovem-oficial-michel-henry/

Boa leitura.

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As mortes e a morte de Pacúvio

“Sono e seu meio-irmão Morte”, quadro de John William Waterhouse. Gosto de pensar que o sono é a antecipação lenta da morte, e que a morte é um grande sono. Não é um grande consolo, mas o Sêneca gostaria dele.

Deve ser estranho ser o último. Último da fila, último a chegar no trabalho, último a sair do baile à fantasia. O mundo não foi feito para os que ficam nas derradeiras colocações.

O que dizer de ser o último da família? Às vezes eu penso nisto, em especial após ver pessoas idosas chegando no escritório e dizendo que são os últimos das respectivas famílias. Não possuem ninguém para cuidá-los, ninguém para se preocupar, ninguém para lembrar.

É uma operação complicada. A pessoa percebe estar velha e constata que está sozinha. Mas, como todo humano, quer lutar pela vida, mesmo quando ela escapa entre os dedos. É mais difícil do que imagina, tudo se torna extremamente complexo. Por exemplo, esta pessoa precisa se alimentar e, para tanto, necessita de comida. Como irá carregá-la? Quem irá ajudá-lo? Quem pode acompanhá-lo nas refeições? Comer sozinho é uma experiência devastadora para muitas pessoas, em especial aquelas que ainda convivem com os ecos de um passado cheio de movimento e vida. Outro exemplo: precisamos conversar de vez em quando. Com quem falar? Sozinho? Com pessoas escolhidas a esmo pelas ruas? Com as paredes? Para pessoas que ainda recordam antigas conversas, deve ser uma experiência ainda mais frustrante não ter um interlocutor. Tão decepcionante quanto jogar xadrez contra si próprio.

E isto que eu nem falo do toque, da presença cálida de outro ser humano, da sensação de estar próximo a alguém em coração e espírito. Também não falo do horror que deve ser a ideia de que toda a história da família na Terra estará acabada com o seu último respirar.

Sêneca conta sobre um homem saudável chamado Pacúvio, que todos os dias realizava o próprio funeral com os necessários detalhes ritualísticos,  encerrado com um banquete. Após este momento, ele era levado da mesa para a cama em um esquife, enquanto convidados e criados cantavam músicas de despedida.

Pacúvio se acostumava com a ideia da morte. Uma vez por dia, ele morria. Passava por todo o ritual e via os entes amados chorarem a sua perda. Para Sêneca, um exemplo perfeito de estóico: acostumando-se à ideia da morte, ele saberia como se portar de forma digna quando chegasse o verdadeiro fim.

Eu penso que Pacúvio não encenava a morte para se acostumar a ela, mas sim para poder ressuscitar após o funeral. Imagino o Pacúvio “ressuscitado” punindo o criado que não cantou com muito entusiasmo, o convidado que bocejou no momento mais dramático, a esposa que não gritou com suficiente desespero. O segundo sonho de todo vivo é assistir aos seus rituais de despedida e ver se as pessoas se comportam de forma apropriada. O primeiro, obviamente, é que a vida não passe de sonho, e morrer seja o verdadeiro início.

Sêneca não falou sobre a morte de Pacúvio, a última. No entanto, duvido que tenha sido da mesma forma que os ensaios. Assim como não pode ser prevista, a morte se reveste de particularidades e lógica que escapam de qualquer ensaio. Sabendo que Pacúvio não iria levantar, acredito que todo o ensaio se desfez, que as mesquinharias surgiram, que a comida esfriou, que os cantos cessaram, que a herança foi dividida ainda sobre o cadáver lívido. No entanto, de tanto encenar a morte e pensar de forma egoísta na sua partida, Pacúvio não percebeu que o seu maior tesouro era ter pessoas que pranteassem ou maldizessem o seu corpo. A indiferença ainda é o sentimento mais doloroso que qualquer um pode experimentar.

E, assim, retorno ao último, aquele que vai morrer sozinho e encerrar a trajetória da sua dinastia sobre o planeta. Imagino a sua solidão, pior que a morte. Penso no silêncio que o cerca, quase palpável, quase uma presença.  Ele não precisa ensaiar a morte, pois ela já está sentada ao seu lado. O frio da sua casa vazia deve remeter à tumba.

Às vezes, a morte leva pessoas que não mereciam partir. Em outras vezes, contudo, a morte prorroga a vida daqueles que já estão mortos.

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Montaigne e as vigas da sua biblioteca

O que uma biblioteca pode dizer a respeito do seu proprietário? Considerando-se que é o lugar onde os livros de uma pessoa se acumulam, uma biblioteca pode ser mais reveladora do que qualquer outro teste. É interessante que ninguém até hoje tenha se preocupado com a trajetória de leitura de uma pessoa; currículos podem ser aumentados, diplomas podem não representar o conhecimento real, cursos podem ser meros papéis ostentando uma assinatura e letras. No entanto, livros não podem ser mascarados; o gosto pela leitura de alguém revela mais da personalidade do que qualquer outra análise.

Estou lendo uma biografia do filósofo francês Michel de Montaigne (existirá uma resenha nos próximos dias), chamada Como Viver ou uma biografia de Montaigne em uma pergunta e vinte tentativas de resposta. Ele é o autor de Os Ensaios, um livro gigantesco que reúne considerações filosóficas, pensamentos, observações sobre o mundo e muita ironia. Não conheço ninguém que tenha lido Os Ensaios de forma completa, até por que a estrutura fragmentária e caótica pede uma leitura ocasional, sem tempo definido, descompromissada.

Durante a minha leitura da biografia, deparei-me c0m uma deliciosa descrição da biblioteca que Montaigne mandou fazer. Antes de construí-la, o filósofo sofreu um grave incidente e quase perdeu a vida. Diante da proximidade da morte, e após a sua lenta convalescença, ele decidiu abandonar as suas tarefas públicas e os cargos políticos da sua família para se encerrar na biblioteca e dedicar o resto de vida para escrever. Mas, para tanto, foi necessário construir um ninho, um porto seguro, onde fosse capaz de esvaziar a mente das preocupações do cotidiano. Desta forma, Montaigne construiu a sua biblioteca, uma torre ao lado da casa onde o resto da família residia, e nela se entricheirou por muitos anos, escrevendo os seus ensaios. A biblioteca existe até hoje (virou uma obra conservada pelo patrimônio histórico) e as fotos seguem abaixo.

A torre onde ficava a biblioteca. Embaixo, era uma capela. No sótão, ficava o local de trabalho e de reflexão de Montaigne.

Outro ângulo.

O projeto da biblioteca foi igualmente revolucionário. Como a torre era circular, Montaigne queria que as prateleiras dos livros também seguissem este formato, circundando o recinto. Não se sabe quem foi o arquiteto ou construtor que as projetou, mas, no século XVI, foi uma grande proeza. As prateleiras originais não existem mais, mas uma reconstrução foi idealizada, como se pode ver na imagem abaixo.

Simulação de como a biblioteca seria.

No entanto, estes detalhes não eram suficientes para transformar a biblioteca de Montaigne em um lugar único. Na minha opinião, o que realmente lhe deu charme e estrutura foram as vigas que sustentavam a sua estrutura. O filósofo mandou gravar frases dos mais variados pensadores gregos e romanos, assim como trechos da Bíblia (em especial do mais sábio livro, o Eclesiastes). Estas frases seriam lembretes da vida que Montaigne buscava. Não é tão difícil imaginar o francês baixinho (estima-se que tinha pouco mais de um metro e meio) sentado na sua biblioteca, as mãos cruzadas atrás da cabeça, lendo e relendo as frases das vigas que, com a sua sabedoria ancestral, insistiam em lhe sussurrar lições e recordações de um passado longínquo.

Foto das vigas.

Outra foto das vigas.

As frases são muito interessantes e irei transcrevê-las já traduzidas para o português, pois, nas vigas, elas estão no seu idioma original:

1 – Para o homem o extremo da ciência é considerar boas as coisas que acontecem e não se preocupar com o restante.

2 – O desejo de conhecer foi dado por Deus ao homem para seu tormento.

3 – O ar infla os odres vazios; a presunção infla os homens sem discernimento.

4 – Tudo o que há sob o sol está sujeito à fortuna e à lei.

5 – Pois a vida mais feliz é não ter pensamento.

6 – Isso não é desta maneira mais que daquela outra ou de nenhuma das duas.

7 – Há em nós uma noção do grande e do pequeno mundo das coisas que Deus fez em tão grande número.

8 – Vejo com efeito que todos nós, tanto quanto somos, nada mais somos que fantasmas e sombras diáfanas.

9 – Oh desventurados corações dos homens! Oh inteligências cegas! Em que trevas e em meio a quantos perigos se escoa esse pouco tempo que vivemos!

10 – Quem conta com sua elevação será derrubado pelo primeiro infortúnio que ocorrer.

11 – Todas as coisas, céu, terra e mar, nada são, perto da totalidade do grande todo.

12 – Viste um homem que se julga sábio? Há mais a esperar de um insensato do que dele.

13 – Pois que ignoras como a alma é unida ao corpo, não conheces a obra de Deus.

14 – Pode ser e pode não ser.

15 – O bom é admirável.

16 – O homem é de argila.

17 – Não sejais sábios a vossos próprios olhos.

18 – A superstição obedece ao orgulho como a seu pai.

19 – Deus não permite que ninguém além dele se orgulhe.

20 – Não deves nem temer nem esperar teu último dia.

21 – Homem, não sabes se isto te convém mais que aquilo ou ambos igualmente.

22 – Homem sou, e nada que é humano me é alheio.

23 – Não sejas mais sábio do que é preciso para que não te tornes insensato.

24 – O homem presunçoso de seu saber ainda não sabe o que é saber.

25 – O homem que nada é, se julga ser alguma coisa, está seduzindo a si mesmo e se enganando.

26 – Não sejais mais sábios do que é preciso, mas sede sobriamente sábios.

27 – Nenhum homem soube nem saberá nada de certo.

28 – Quem sabe se a vida é o que chamamos morte e se morrer é viver.

29 – Todas as coisas são difíceis demais para que o homem possa compreendê-las.

30 – Há grande possibilidade de falar tanto a favor como contra.

31 – O gênero humano é muito ávido de narrativas.

32 – Quanta inanidade em todas as coisas!

33 – Vanidade em todas as coisas.

34 – Guardar a medida, observar o limite, siga a natureza.

35 – Por que te glorificares, terra e cinza?

36 – Ai de vós que sois sábios aos vossos próprios olhos!

37 – Desfruta agradavelmente o presente; o restante está fora de teu alcance.

38 – A todo argumento pode-se opor um argumento de mesma força.

39 – Nosso espírito vagueia nas trevas; cego, não pode discernir a verdade.

40 – Deus fez o homem semelhante à sombra, que julgará depois do ocaso do sol.

41 – Não há nada certo exceto a incerteza, e nada mais miserável e mais orgulhoso que o homem.

42 – De todas as obras de Deus, nada é mais desconhecido ao homem que o vestígio do vento.

43 – Cada qual tem suas preferências entre os deuses como entre os homens.

44 – A opinião que tens de tua importância te porá a perder, porque te julgas alguém.

45 – Os homens são atormentados pelas ideias que têm sobre as coisas, não pelas próprias coisas.

46 – Convém que um mortal não eleve seus pensamentos acima da humanidade.

47 – Por que cansares teu espírito com eternos cuidados que estão acima de teu alcance?

48 – Os julgamentos do Senhor são um grande abismo.

49 – Nada decido.

50 – Não compreendo.

51 – Mantenho-me na dúvida.

52 – Examino.

53 – Tomando como guias os costumes e os sentidos.

54 – Pelo raciocínio alternativo.

55 – Não posso compreender.

56 – Nada mais.

57 – Sem se inclinar para lado algum.

Lendo estas frases, é impossível deixar de pensar que elas são uma espécie de poética, seguida à risca por Montaigne. É possível encontrar as mais diferentes variações de temas, que vão desde alertas simples até instantes de pura motivação. Eu adoraria realizar um estudo completo do significado e dos entrelaçamentos delas entre si e com as suas fontes de referência, mas suspeito que seria o trabalho de algumas vidas. Por exemplo, as frases das vigas 50 e 55 aparentemente são redundantes, pois quem não compreende também não pode compreender. No entanto, analisando-se ambas mais a fundo, percebe-se que existe uma grande diferença entre não compreender algo e lembrar-se que não pode realizar tal entendimento, pois compreender é destruir a liberdade do pensamento e a própria magia inerente ao desconhecido. Não compreendo é a enunciação de um fato e da incerteza; não posso compreender é um lembrete dos perigos de se esgotar o entendimento sobre determinado assunto.

No entanto, o que acabou chamando minha atenção foi a necessidade de Montaigne de escrever tais frases nas vigas da sua biblioteca, no local que escolhera para realizar a sua obra. Além do desejo de se sentir acompanhado pela sabedoria dos sábios e pensadores que mais respeitava, retirando um pouco da solidão do ato de criar, acredito que Montaigne também protegeu-se no interior de um pentagrama de sabedoria, isolando as influências externas, inventando um habitat excluído do mundo. A sabedoria e as palavras são capazes de durar para sempre, tanto que até hoje os lembretes de Montaigne ainda podem ser vistos, permitindo-nos saber o cadinho de pensamentos que constituiu o homem.

No mundo atual, um fenômeno chama a minha atenção: quanto pior ou mais tosca for a ideia, mais difundida e apreciada ela é. O  anti-estético tornou-se arte. Nas redes sociais, vejo muitas pessoas glorificando o ruim, o feio, o desconfortável, o constrangimento alheio. Muito mais difícil do que isto seria achar o genuinamente belo, o agradável a todos os sentidos, o límpido e o suave. Parece-me que a maioria das pessoas são incapazes de criar a beleza e, por este motivo, preferem saudar aquilo que as torna iguais. E, assim, se sucedem artistas tentando criar obras de arte intragáveis do ponto de vista estético, livros desprovidos de clareza e repletos de inovações, esculturas obscenas e distorcidas, músicas sem nenhuma harmonia ou com letras medíocres. E as pessoas chamam isto de expressão artística, disseminando-as pela mídia como uma forma moderna de abordar de arte. Na minha opinião, continua sendo o que sempre foi, independente do rótulo: uma porcaria. Não me inspira nada, somente pena.

Montaigne sabia a verdade que vem desde Aristóteles: para sermos melhores, temos que nos inspirar nos melhores. Na corrida atual que busca o mais feio ou o mais tosco, muitos participam por louros fáceis, efêmeros. Contudo, os lembretes colocados por Montaigne nas vigas da sua biblioteca continuam ecoando a sabedoria do passado. Poucas obras dos nossos dias poderiam ter a honra de serem escritas em vigas para a Eternidade, pois sua vida útil não passa de uma semana.

Eu imagino Montaigne sentado na biblioteca, refletindo, a pena na mão e os olhos detidos nas frases do passado. Com a companhia silenciosa de gigantes, não surpreende que ele tenha escrito Os Ensaios. A moderação e a humildade sugerida nas frases passam para a sua produção filosófica. Montaigne lia as vigas não somente para se inspirar, mas para lembrar que era um ser humano.

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Analisando estatísticas – parte 2

Fui forçado a parar um texto que estava escrevendo sobre a biblioteca do Montaigne. Os acessos no blog cresceram de tal forma nos últimos dias que chegaram a 2000 antes que eu concluísse os meus pensamentos, e eu prometi revelar as estatísticas intestinas do blog quando completasse 2000 acessos. O Montaigne pode esperar. As estatísticas, não.

Não posso dizer que não esteja sendo interessante escrever este blog. Não sei se ele tem um assunto em específico ou uma linha de raciocínio definida, o que depõe terrivelmente contra a lógica argumentativa do seu autor, o qual se entrega a frequentes exercícios auto-xingativos por conta de tamanha falta de acuidade. Costumo escrever sobre aquilo que estou pensando, o que explica a irregularidade (dos meus pensamentos ou do blog ou do mundo, sei lá, é tudo a mesma coisa).

Por motivos que não sei explicar, levei quase quatro meses para chegar a 1000 acessos e dois meses para completar mais 1000. Seguindo esta lógica, completarei mais 1000 acessos em um mês, e depois mil acessos em 15 dias, e… volto a dizer, eu não devia analisar estatísticas e muito menos pensar em matemática, o mundo só tem a ganhar se eu ficar longe de conclusões estapafúrdias.

Bem, vou compartilhar algumas estatísticas com os leitores:

– Anaxímenes continua sendo o cara. Persiste sendo impressionante a quantidade de pessoas que visita o blog diariamente procurando a teoria, as ideias, as imagens e, o mais engraçado, as FOTOS do Anaxímenes. Como o filósofo grego é pré-socrático, duvido muito que alguém tenha conseguido fotografá-lo, até por que as câmeras fotográficas e o Instagram surgiriam muitos e muitos anos depois. Se alguém tiver fotos do Anaxímenes, terá também uma máquina de viagem ao Tempo, o que o tornará uma pessoa muito legal de se conhecer.

– No entanto, a postagem sobre Anaxágoras (“O mais terrível livro não-lido”) também apresentou um grande crescimento. E mais rápido do que Anaxímenes. Pelas minhas expectativas, até os 3000 acessos, Anaxágoras vai ser o novo maioral do pedaço. A batalha está instigante. E o interesse por estes dois filósofos, em plena modernidade, dá muita esperança para o conhecimento mundial e a perpetuidade do pensamento. Clap, clap, clap, sábios acessos.

-Graças a Deus, pararam de acessar o meu blog por causa das citações a Saussure e a Bakthin. A ordem mundial se manteve e a Linguística está a salvo das minhas heresias e ironias. Obrigado por não me matarem, linguistas.

– O número de acessos procurando resenhas e resumos de livros diminuiu (sentiram o puxão de orelha na análise de estatísticas anterior, não é?). Também diminuiu bastante a leitura do About. Um dia, a família cansa de ler as palavras com que me descrevi.

– Deviam fazer um concurso para ver o blog com MENOR número de seguidores. Eu tenho QUATRO (e tudo da família: valeu, pessoal. Opa, com uma honrosa exceção! Não citarei o seu nome em público, mas muito obrigado, Lívia. Ih, escapou). Ficaria realmente estressado se tivesse dezenas de seguidores. Com pouca gente acompanhando e só pessoas de qualidade, fica mais fácil escrever e se divertir sem me estressar com os eventuais leitores. Aliás, quando cheguei a 2000 acessos, a minha primeira reação foi pensar: “Meu Deus, o mundo enlouqueceu!”. Mas foi só a primeira reação, depois me acalmei.

– A postagem da resenha sobre o livro da Kelli Pedroso, “O Sexo das Antas”, quase bateu recorde de visualizações em um dia. Faltaram somente dois acessos para bater o recorde anterior. Até hoje os patamares de visualizações da resenha da Kelli se mantém estáveis, em média 10 ou 12 por dia.

– E agora vou falar das buscas estranhas que as pessoas fizeram e que, por motivos desconhecidos, acabaram aportando neste blog. Quando alguém coloca algo no Google e a busca remete a algum tema do blog, elas acabam entrando nele e eu sou informado. Adoro seguir o fio do raciocínio alheio. As buscas mais legais foram: “o estouro é grande mas os resultados pequenos” (não sei o que a pessoa estava exatamente procurando, mas é uma grande indagação, se os estouros são proporcionais aos resultados), “rottweiler com orelha e rabo cortados” (pobre animal, está na iminência de uma péssima experiência de vida), “em qual plantação o sol é essencial?” (olha, amigo, eu acho que, no planeta Terra, o sol é essencial em todas as plantações, mas é uma questão interessante), “homem ele e muito bom gostoso” (espero sinceramente que não tenha sido um canibal procurando receitas, e não entendo em qual momento do meu blog esta impressão foi criada), “quadro de van gogh que parece que os girassóis vão saltar para fora” (você precisa sair da internet e parar de se drogar, isto sim) e “jovem morto nos bancarios todo despedaçado” (alguém acordou macabro em São Paulo neste dia). Obrigado por terem tornado os meus dias mais nebulosos e inquisitivos tentando entender as buscas de vocês, caros leitores ocasionais.

Esta é a análise das estatísticas dos 2000 acessos. Já achei um milagre chegar aos 1000, o que dizer então de 2000 leitores? Vamos agora para mais 1000 acessos, mais uma falange macedônica, quando nossos planos de dominação e conquistas podem sair de Santa Catarina e se tornarem um pouco mais mundiais (talvez o Uruguai possa ser anexado com 3 falanges macedônicas, vou considerar). Agradeço aos leitores, tanto os habituais quanto os ocasionais, e encerro esta postagem com um alerta: se vocês estão tão perplexos comigo quanto eu estou com vocês, vamos seguir com as nossas perplexidades e levar adiante a vida, por que as certezas são um saco.

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E outra resenha minha no Amálgama

E saiu outra resenha minha no Amálgama (www.amalgama.blog.br), excelente blog e um dos mais respeitados que eu conheço. Desta vez, eu trato do livro “Estudos sobre a Literatura Clássica Americana”, escrito por D. H. Lawrence, um livro delicioso de se ler, muito engraçado e repleto de polêmicas. Foi meu companheiro fiel nos últimos almoços, e deve ter intrigado muita gente que me via lendo um livro de crítica literária sufocando risadas e com os olhos marejados.

Segue o link:

http://www.amalgama.blog.br/06/2012/estudos-sobre-a-literatura-classica-americana-d-h-lawrence/

Boa leitura.

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Esperança, esta coisa ilógica

No arco infindável das coisas que eu não estava mais acostumado a fazer, ontem realizei outra: uma saída noturna para beber e conversar com amigos literatos. A vida de escrever e ler é uma existência eremita, por natureza. No entanto, às vezes é necessário interagir com outras pessoas, em especial quando as estimamos e temos prazer com a sua companhia. Foi um período agradável, nem vi as horas passarem.

Mas não é deste assunto que desejo falar.

Como chegamos no bar Dublin durante o happy hour, aquele horário indefinido que vai das 19:30 às 22:30, muitas pessoas recém saídas do trabalho ainda estavam espalhadas pelas mesas. O público majoritário era masculino, as mulheres estavam em ampla desvantagem. Tal fato não teria chamado a minha atenção se a maioria não fosse realmente esmagadora. Quando chegou 22:30, as portas da pista de dança abriram atrás da nossa mesa. Neste momento, boa parte dos homens que estavam sentados ao redor levantaram e se dirigiram até estas portas, desaparecendo no meio da nuvem de gelo seco.

Confesso que tal fato me espantou. Será que os homens imaginavam que a abertura da pista de dança iria materializar mulheres em um local onde elas não existiam? Como esta é uma impossibilidade das Leis da Física, e como acredito que eles não estavam a fim de dançar com outros homens (alguns até estivessem, mas não todos), só posso atribuir que eles ficariam em um ambiente repleto de homens esperando que alguma incauta entrasse para dançar.

(Pausa necessária para uma informação importante: ontem era véspera do Dia dos Namorados. Aqueles caras deviam estar sem namorada e, sabendo que muitas mulheres ficam sensíveis nesta época de consumo e de mensagens de amor espalhadas aos quatro cantos, talvez estivessem esperando que alguma delas, em nítido desespero, aparecesse atrás de um amor de ocasião, de um príncipe encantado. Era uma possibilidade com, admito, boas chances estatísticas de acontecer).

Não entrei para ver como a história terminava, as melhores histórias são as que terminam dentro da cabeça. Algumas mulheres até foram para a pista, mas em quantidade muito menor do que a de homens. Horas mais tarde, refletindo de forma irônica sobre o que tinha presenciado e brincando com a ideia da materialização de mulheres em pistas de dança (explicaria tanta coisa), um pensamento surgiu e, com ele, veio a compreensão definitiva. Eu tinha enxergado a esperança.

Sim, eu sei que a esperança é um sentimento, mas ela pode ser transformada em pessoas, em atitudes, em situações. Como o torcedor que vê o seu time perder de cinco a zero e ainda acredita ser possível uma virada milagrosa, como a pessoa doente que espera uma salvação de última hora para o seu infortúnio sem cura. O que levou aqueles homens a ingressarem em uma pista de dança sem mulheres não foi o desejo de que elas se materializassem subitamente, dançando de forma libidinosa no meio do gelo seco, mas a esperança de que uma determinada mulher entrasse no ambiente, no meio de uma música ainda desconhecida, olhasse outra pessoa e o sentimento surgisse como um relâmpago no meio de um dia de sol. Aqueles homens tinham esperança – e, quem tem esperança, sempre pode ser surpreendido.

(Segunda pausa necessária: impossível falar de esperança sem lembrar de uma das maiores sequências da história dos quadrinhos, presente em “Prelúdios e Noturnos”, escrita pelo mestre Neil Gaiman. Sandman está no Inferno, jogando com um demônio o jogo mais antigo do mundo, “o que é maior”. O demônio pensa ter encurralado o Sandman, quando afirma “Sou a Antivida, a Besta do Julgamento. Sou a Escuridão no fim de tudo. O fim de universos, deuses, mundos… tudo”, convicto de que nada pode superar esta afirmativa. De braços cruzados, Sandman responde: “E eu sou a Esperança”. Não existe nada maior do que ela, nada capaz de derrotá-la… e o demônio perde. Momento lendário).

Mesmo os homens que estavam procurando um amor fácil, rápido e com uma pitada de desespero também tinham esperança de achar a coisa real. Por isto, deviam estar dispostos ao redor da pista como os acólitos de alguma seita, esperando chegar alguém que sequer sabem quem é. Poder estranho que tem este sentimento: não se sabe se a pessoa aparecerá, se ela não pensou que estava frio ou se chegou do trabalho cansada, mas, ainda assim, se espera, como se o milhão de acasos de que uma existência é formada pudesse confluir para aquele único segundo em que alguém entra em um ambiente, em determinado momento, sob certas circunstâncias, e o vínculo se forma, tão natural como respirar, tão imprescindível como a vida. E tudo começa com uma simples e fugaz esperança.

Nesta época do ano em que se fala tanto no amor, com uma quantidade impressionante de pieguices e constrangimentos, eu pensei naqueles que ainda esperam tal sentimento, naqueles que ainda acreditam. Ter esperança é o que nos diferencia dos animais. Eu nunca vi uma estátua dedicada à esperança, nunca vi uma rua com o nome dela, não sei de nenhum dia em que se comemora o ato de acreditar no imponderável, nunca soube de alguém que a tenha perdido por completo. No mais fundo, na gaveta mais escondida, sempre existe um resto de sonho. E, com ele, mora a esperança, este ser irracional, ilógico, ranzinza, e que joga contra todas as probabilidades estatísticas. Um ser que aposta contra os homens – mas torcendo para que eles ganhem.

Não existe lógica alguma em ter esperança. Ainda assim, esperamos.

O Google Imagens deve ficar louco com as minhas buscas. Coloquei "esperança" e apareceu uma longa série de clichês. Melhor deixar a imagem do Sandman enfrentando os demônios, armado somente com a esperança.

O Google Imagens deve ficar louco com as minhas buscas. Coloquei “esperança” e apareceu uma longa série de clichês. Melhor deixar a imagem do Sandman enfrentando os demônios, armado somente com a esperança.

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