Enlouquecendo com Lovecraft

Estou finalizando uma sequência de contos com temáticas do Lovecraft. Ao contrário do trabalho realizado por outras pessoas, o método que estou usando é enlouquecedor. Além dos temas e assuntos comumente observados pelo grande Lovecraft, preciso atentar para a linguagem, os vícios narrativos, as descrições, os adjetivos, a junção de substantivos, o clima, a percepção, o narrador. Não é uma tarefa fácil. Além de precisar fazer muita leitura crítica dos contos, também estou lendo trechos de obras críticas sobre ele e – graças ao meu amigo Tiago Maraschin – muitos livros de RPG.

 

Observei que os contos de Lovecraft davam especial ênfase para o cenário. O horror estava contido na descrição do cenário, passando para os personagens que passavam a habitar naquelas paragens assustadoras. O cenário acaba criando o horror. Hoje, na nossa literatura pós-moderna, o horror está nos personagens e acaba se refletindo (seja intensificando, seja diminuindo) no cenário.  É uma mudança que terei de levar em conta.

 

Estou especialmente fascinado pelos ângulos não-euclideanos. Seriam formas não-lineares de arquitetura, construções capazes de desafiar a realidade (corredores maiores por dentro do que a visão imagina, espaços lineares que aparentam ter 10 metros e, na realidade, possuem quilômetros de extensão, escadas inversas, curvas que andam em linhas retas).

 

Lovecraft acreditava que a ciência e a fé eram constructos alienígenas, o que é outra ideia interessante: o ponto de intersecção do caráter científico e do aspecto religioso seriam a sua origem alienígena, o que ajuda a pensar por que as duas se repelem, ao mesmo tempo em que possuem uma grande área em conjunto. Seria muito diabólico que alienígenas tivessem criado ciência e religião no mesmo momento e, depois, as separado como irmãos siameses. Em muitos contos do Lovecraft, a junção destas duas áreas acaba resultando nos alienígenas.

 

A foto abaixo é do filme “Chtulhu”, que, até onde sei, sequer saiu no Brasil. Pelos detalhes fornecidos pelo Tiago, o filme nem é tão bom assim. Mas a simples figura passa toda a ideia de terror do filme (as pessoas dentro da caixa são sacrifícios humanos deixados na praia para os Deep Ones). Achei extremamente inspirador. Toda vez que caminhar na beira da praia, procurarei sacrifícios humanos a partir deste momento.

 

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