Um início como qualquer outro

 

Ecce liber

 

Assim como devemos à conjunção de um espelho e de uma enciclopédia o descobrimento de Uqbar, este blog está nascendo da confluência de duas constatações.

A primeira:

Desde que lancei o meu livro de contos, “O Homem Despedaçado”, pela editora Dublinense (www.dublinense.com.br), percebi a quantidade de material que deixei de fora. A vida é repleta de opções e, para cada conto que escolhi para figurar no livro, tive que tirar dois ou três.  Em certos aspectos, me senti como um técnico de futebol, devendo escolher não o melhor jogador disponível, mas sim o mais adequado para a função planejada. O material deixado de fora não é ruim. Pelo contrário, segundo opiniões das pessoas que já leram os contos preteridos, alguns são melhores inclusive do que os escolhidos para figurar no livro. Gostaria de dizer que tive um critério misterioso ou uma inspiração divina, mas, na realidade, não sei direito os motivos da minha escolha. Tenho várias listas de contos, cada qual com uma versão diferente. Às vezes, preciso pegar o meu próprio livro para lembrar se coloquei ou não determinado conto na seleção final. Com este blog, como não pretendo reeditar os contos ou colocá-los em outros livros de forma recauchutada, vou apresentar o meu material sobressalente aos poucos. O leitor que desejar seguir os meus passos ou adquirir novas chaves de leitura pode usar este blog como um farol.  Ainda acho melhor ir colocando na internet o meu material, aos poucos, ao invés de deixá-lo recolhido lá em casa, junto com as minhas caixas de material não aproveitado. Publicar na internet também é se libertar daquilo que foi escrito.

Existe uma outra curiosidade também: com o passar dos tempos, percebi que os meus contos não se detinham na sua forma e brincavam com outras áreas do conhecimento, encontrando novas interpretações e formas de (re)leitura inéditas. Falando como autor, foi um movimento fascinante.  O livro ainda está se renovando. Eventos que eu imaginava ter criado existiam na vida real, em culturas distantes. Fatos imaginários se tornaram reais, anos depois de terem sido pensados. O resultado de tal movimento foi que comecei uma espécie de “versão do autor” do meu próprio livro, acrescentando estas novidades e refazendo caminhos de leitura que eu pensava estarem exauridos. O livro trata de homens despedaçados, mas, realmente, o despedaçamento das histórias é maior do que eu imaginava.

A segunda:

Alguns leitores do meu livro possuem o obscuro desejo de trocar impressões e dividir sensações.  Não é uma experiência fácil achar um interlocutor, pois precisamos presumir a existência de outra pessoa que tenha lido o mesmo conto e ficado também  com algum grau de perturbação. As reclamações mais frequentes que escutei – além dos diferentes graus de incompreensão ocasionados – foi que não existia um espaço para compartilhar ideias e trocar chaves de compreensão. Então, aproveito o espaço deste blog também para convidar estas pessoas a dividirem as suas angústias – apesar de avisá-las, desde agora, que a experiência de conversar com um autor é ainda mais angustiante do que a própria leitura.

Também aproveitarei para colocar comentários sobre livros, sobre filmes e sobre músicas. Entretanto, por culpa da minha formação crítica, misto de Direito e Literatura Comparada, tais comentários nem sempre serão límpidos. Às vezes, serão sujos, sarcásticos, indefinidos. Como disse o sábio Frank Miller, “o homem sem esperança é um homem sem medo”. Quem não leva muita esperança de ser lido, por conseguinte é um homem que não tem medo de expor opiniões. Pretendo que aqui seja um espaço para troca de ideias e um debate de pessoas que estejam dispostas a ir um pouco além da realidade que nos cerca. Mas, se as pessoas só quiserem ler, serão igualmente bem recebidas.

Gustavo

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